15.7.09

a n i v e r s á r i o.

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final de uma primavera. começo de outra.
exponho meu mundo, sem pudor. colorido.
todos os abraços e beijos, diversificados.
e uma atenção no brilho de cada olhar.
afinal de contas, hoje o dia nasceu pra mim.







"...aí recebi tanto carinho que fui ficando até hoje."

caio fernando abreu.

14.7.09

o tempo é só uma questão de cor, não é?

"por que não se render ao avanço natural das coisas, sem procurar definições? como uma primavera, em mim."

caio fernando abreu.









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já aprendi com as primaveras, a me deixar levar.
fecho os olhos, abro os braços e flui. barquinho na correnteza.

em nossos abraços, em seus sorrisos largos.

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mas ela sabia todas essas interessâncias.
era só fechar os olhos.
todas as noites, subia as escadas. e ia para o céu.
e via o que era mais bonito acontecer: todas as esperanças amanhecendo.
coisas que, só ela sabia.
coisas que a faziam mais bonita.



"...ela sorriu, então um dos cantos da boca ergueu-se fazendo subir também uma das sobrancelhas, enquanto o olho quase fechava, embora brilhasse mais intenso assim, por entre as pálpebras meio inchadas, quase invisível. tinha um pouco de criança quando sorria desse jeito. e de demônio. demônio astuto..."

caio fernando abreu.

13.7.09

nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar.


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fechou os olhos, fazia tanto bem.
era algo como, um novelo de paz desenrolando por dentro.
de um lado, ele. de braços abertos.
protegendo aquela coisa toda linda.
havia ali, uma estranha e secreta harmonia.
e em cada espuma daquele balanço, se fazia nova.
uma alegria feita de g r ã o s.
daí, percebeu.
que, cada suspiro, servia pra aumentar ainda mais a força daquela primavera.

6.7.09

é quando fala o íntimo.


"acontecem coisas estranhas quando estou num espaço muito amplo. uma vontade de voar, parece que bastaria abrir os braços para fundir-me com o céu. ao mesmo tempo, dá vontade também de ficar na terra, e viver, viver muito, com todas as miudezas do cotidiano. impressão de ser maior que tudo, sensação de força, certeza de vitória, vitória tão certa e fácil como as coisas da natureza que se mostram ali. e também uma grande humildade, consciência de ser ínfimo em relação ao azul-azul do céu, ao azul-em-cor do rio. procuro palavra para definir o que sinto e não encontro. talvez elas nem sequer existam, talvez seja apenas um fluxo mais forte de vida abrindo os sentidos, embrutecendo o raciocínio".


caio fernando abreu.


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era tão transparente, que pudia se ver a delicadeza através da moldura.

hora da estrela.

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naquela noite, todas as suas palavras resolveram andar de mãos dadas.
e era por isso que ele achava que os olhos dela clareavam.
é que ao redor, só se pudia ver o brilho.







"sorriu. os dentes muito claros. punhalada de luz."

caio fernando abreu.

4.7.09

cheio de pontos dourados nas pupilas.



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ela também gostava muito.
se entregava a sorte assim, de olhos fechados.

3.7.09

tão simples, tão clássico.


"o belo fica ainda mais belo, quando também é forte? pois é."

caio fernando abreu.


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ela gostava de ver a vida a pé.
ainda mais quando ia de mãos dadas.

aquela carga embrutecendo.


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mas era um processo interessante. pertubador.
avançava tão rápido, que já tinha culminado no ápice.
de uma maneira tão seca, que havia atingido o nível das imagens.
as cores haviam se perdido. aquele lugar era sombrio, nublado.
e o que restava, aparentemente, era uma espécie de loucura.
uma coisa qualquer que definhava.
e que ninguém poderia jamais imaginar aonde iria terminar.

e a menina que observava a tudo, através da greta, cada vez mais se assustava.

queria dançar sobre os canteiros.


"gold lions gonna tell me where the light is,"

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e ilustra tão bem. tão.
God!

2.7.09

te mando retalhos de felicidade.

"o céu está cada vez mais claro. alguns pássaros começam a cantar. tenho vontade de cantar também. um canto feito de palavras, não como o antigo. 'daqui a pouco vai amanhecer. há um vago cheiro de mar solto nas ruas...'"

caio fernando abreu.


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e tá tudo tão completo, que preenche o ser.
os tons variam entre a delicadeza e a sutileza.
as formas, entre o imponente e o encantador.
instigante, beibe.
e a menina, aumentava cada vez mais a sua paleta de cores.




"então uma canção brotou do fim de mim, e eu cantei..."

caio fernando abreu.

30.6.09

um, descanso na loucura.


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o útil, intensifica.
me entrego e, flui.

29.6.09

mas, qualquer outra coisa assim.


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as vezes, meus dias vão de par em par.
mesmo que eu seja ímpar.

como um ritual.


"e a alegria crescia, expandindo-se em muitas direções, tomando conta das mãos, dos olhos, já transcendia o pensamento para se apossar do corpo inteiro."

caio fernando abreu.



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era quando acordava com o sol aquecendo os pensamentos.
a expansão, tornava-se cada vez mais evidente.
e era tão quente. tão bom, menino.

28.6.09

quero um instante assim, barroco.

"hoje ouvi várias vezes: você está com uma cara tão boa."

caio fernando abreu.










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daqueles, roubados. bem de canto.
diversificados.
e ela, caminhava colorido.

27.6.09

a gente se entrega nas menores coisas.


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parece simples,
mas eu acho tão bonito.
ver a vida como faz o mar,
num grão de areia.







"caminhavam assim, lembrando juntos letras de bossa-nova. ela imitava Nara Leão: se-alguém-perguntar-por-mim. ele, Dick Farney: pelas-manhãs-tu-és-a-vida-a-cantar. nada sabiam de punks, darks, neons, cults, noirs. eram tão antigos caminhando de mãos dadas naquela areia luminosa, macia de pisar quando os pés afundam nela lentamente. tão bom encontrar você, um cantinho, um violão."

caio fernando abreu.

26.6.09

o infinito é nunca. ou sempre.

"tudo explodia num plano muito mais alto, muito mais intenso. nos desvendávamos com a fúria dos que antecipadamente sabem que não vão conseguir jamais."

caio fernando abreu.





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esses códigos cobertos de flores.
carregados de cheiros.
transbordando de cores. expelindo sabores.
toma, guarda.
você sabe, ele disse. que a melhor sensação é só sua.
amarrou com um laço na ponta.
toma, leve um sorriso meu. um brilho disparou de seu olhar.
olha, tá chovendo lantejoulas.

25.6.09

é um vento mágico, dizem.

"ela explicava, sorrindo — um sorriso diferente dos que costumava sorrir:
— não, gurizinho. quando a gente gosta mesmo duma pessoa, a gente faz essas coisas.
— calou um momento, depois acrescentou:
— faz até pior.
— pior, como? lamber o prato que a pessoa come?".

caio fernando abreu.


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é que há nuvens.
e quando as nuvens se amontoam,
chove estrelas e lua.

24.6.09

sem forma, sem termo.

" o que quero dizer é que não houve mesmo nada especialmente prévio. nenhum aviso, nenhuma suspeita. "aconteceu sem um sino pra tocar"..."

caio fernando abreu
.



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e é quando um pouco do brilho vai embora.
aquela coisa bonita,
que só existe dentro das criaturas mais puras: as crianças.
essas coisas deveriam ser proíbidas de acontecer com elas.
um pouco mais dos anjos. de guarda.
o que deveria ser, não cabe.
não se expressa.

23.6.09

uns cheiros, uns charmes. essas coisas.


"e o essencial eram as coisas que coloriram a minha vida."

caio fernando abreu.









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daquelas noites, sabe?
em que você é super-herói, gueixa e a princesa do castelo.
daqueles amores fundamentais.
daqueles sabores essenciais.
sentimentos diversificados.