"certa vez, sentado em um promontório,
ouvi uma sereia montada no dorso de um golfinho
pronunciar sussurros tão doces e harmoniosos
que o rude mar tornou-se dócil à sua canção,
e algumas estrelas despencaram loucamente de suas esferas
para ouvir a música da moça do mar."
(willian shakespeare - sonho de uma noite de verão, ato II.)
31.1.09
16.12.08
calou.
eu amo tudo o que foi,
tudo o que já não é,
a dor que já me não dói,
a antiga e errônea fé,
o ontem que dor deixou,
o que deixou alegria
só porque foi, e voou
e hoje é já outro dia.
fernando pessoa.
tudo o que já não é,
a dor que já me não dói,
a antiga e errônea fé,
o ontem que dor deixou,
o que deixou alegria
só porque foi, e voou
e hoje é já outro dia.
fernando pessoa.
11.12.08
sobre o que acontece.
"há uma primavera em cada vida:
é preciso cantá-la assim florida,
pois se deus nos deu voz, foi para cantar!
e se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder, para me encontrar."
florbela espanca.
é preciso cantá-la assim florida,
pois se deus nos deu voz, foi para cantar!
e se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder, para me encontrar."
florbela espanca.
3.12.08
me and cinderella.
-
"hey, come on try a little
nothing is forever
there's got to be something better than
in the middle."
28.11.08
eu tô falando é de sonho.
-
"há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; e um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
alberto caeiro.
"há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; e um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
alberto caeiro.
25.11.08
19.11.08
hoje, contei pras paredes.
-
"tinha suspirado. tinha beijado o papel devotamente. era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas. como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. sentia um acréscimo de estima por si mesma. parecia-lhe que entrava, enfim, uma existência superiormente interessante. onde cada hora tinha o seu encanto diferente. cada passo conduzia a um êxtase. e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."
"tinha suspirado. tinha beijado o papel devotamente. era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas. como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. sentia um acréscimo de estima por si mesma. parecia-lhe que entrava, enfim, uma existência superiormente interessante. onde cada hora tinha o seu encanto diferente. cada passo conduzia a um êxtase. e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."
13.11.08
pensando demais.
"... remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tensões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
12.11.08
um sopro de vida.
" (...) mas, mesmo assim, me surpreendo como é que hoje já é maio, se ontem era fevereiro? cada minuto que vem é um milagre que não se repete."
clarice lispector.
clarice lispector.
11.11.08
7.11.08
sobre o tempo.
...e ando ainda atrás
desse tempo ter
pude não correr
dele me encontrar...
rodrigo amarante.
desse tempo ter
pude não correr
dele me encontrar...
rodrigo amarante.
29.10.08
fato.
"porque você não pode voltar atrás no que vê. você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
16.10.08
sequência.
"não sei como me defender dessa ternura que cresce escondido e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo."
.
caio fernando abreu.
.
caio fernando abreu.
14.10.08
das lições da vida.
"porque esse talvez seja o único remédio quando ameaça doer demais: invente uma boa abobrinha e ria, feito louco feito idiota, ria até que o que parece trágico perca o sentido e fique tão ridículo que só sobra mesmo a vontade de dar uma boa gargalhada."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
30.9.08
24.9.08
ai se sessê.
"se um dia nois se gostasse. se um dia nois se queresse. se nois dois se empareasse. se juntim nois dois vivesse. se juntim nois dois morasse. se juntim nois dois drumisse. se juntim nois dois morresse. se pro céu nois assubisse. mas porém acontecesse de são pedro não abrisse a porta do céu. e fosse te dizer qualquer tulice. e se eu me arriminasse. e tu cum eu insistisse. pra que eu me arresolvesse. e a minha faca puxasse. e o bucho do céu furasse. tarvês que nois dois ficasse. tarvês que nois dois caisse. e o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse."
cordel do fogo encantado.
cordel do fogo encantado.
16.9.08
música.
Dance Me To The End Of Love
Madeleine Peyroux.
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Madeleine Peyroux.
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
28.7.08
27.7.08
o futuro, a quem pertence?
"abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo. mas o segredo, este não vejo nem sinto. o futuro é meu enquanto eu viver. no futuro vai ter mais tempo de viver, e, de cambulhada escrever. eu não escrevo cartas pra você porque só sei ser íntima. aliás, eu só sei em todas as circunstâncias ser íntima: por isso sou mais uma calada. tudo o que nunca se fez, far-se-á um dia?"
clarice lispector.
clarice lispector.
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