Sexta-feira, 27 de Junho de 2008
e depois de sete vezes setecentos dias, abriu a janela e olhou para o céu.
ele ainda estava lá: manga e chumbo, como o tinha deixado:
pura
chama.
sempre está.
antes, tem que saber mais dessas pessoas que andam pelas ruas com as mãos
postas no coração,
a um só tempo suplicando e agradecendo.
pessoas comuns e desimportantes com cara de ninguém,
com cara de nada, cara de nem existir, de só passar e colher
uma flor alheia
para um altar alheio, mas
têm amor ali naquelas mãos.
essas pessoas são andores.
e o santo delas não é de barro.
[renata]