13.4.09

fluidez.



"(...)quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão(...)"

baudelaire.

-
acho o tempo derretendo incrivelmente atraente.

8.4.09

atrás das cores.



-
acordou branca. e um dia azul, com rajadas de preto.
intrinsecamente era vermelho.
e a sua volta, amarelo. escalafobético. e também muito laranja.
falava azul claro. e lia verde. entrelinhas, era muito rosa.
e tinha vontades roxas. e pensamentos beges.
e palavras prateadas e sentidos multicor.

5.4.09

é quando é sincero.

"comigo você falará sua alma toda, mesmo em silêncio. eu falarei um dia minha alma toda, e nós não nos esgotaremos porque a alma é infinita. e além disso temos dois corpos que nos será um prazer alegre, mudo, profundo."


-
muitas conclusões cheias de sufixos.

4.4.09

atemporal.

-
3:29h
m e m o r á v e i s.

31.3.09

enlouquecer.

"(...)ele ergueu os olhos e, diante de meu rosto angustiado, entrefechou-os, analisando-me, compreendendo-me. houve um longo minuto de silêncio. eu esperava e tremia. sabia que esse instante era o primeiro realmente vivo entre nós, o primeiro que nos ligava diretamente. aquele momento me separava de súbito de todo o meu passado e numa singular previsão adivinhei que ele se destacaria como um ponto vermelho sobre todo o decorrer de minha vida.

eu esperava e na expectativa, todos os sentidos aguçados, eu desejaria imobilizar todo o universo, temendo que uma folha se movesse, que alguém nos interrompesse, que minha respiração, um gesto qualquer quebrasse o feitiço do momento, desvanecesse-o e fizesse-o cair novamente na distância e no vácuo das palavras. o sangue latejava-me surdamente nos pulsos, no peito, na testa. as mãos geladas e úmidas, quase insensíveis. minha ansiedade deixava-me numa tensão extrema, como pronta para me atirar num sorvedouro, como pronta para enlouquecer."

c.l.

-
enlouquecer de sentidos, é cheio de sentido.

30.3.09

o luar.

"(...) esse luar mais branco que o rosto de um morto, tão distante e silencioso, esse luar assistiu aos gritos dos primeiros monstros sobre a terra, velou as águas apaziguadas dos dilúvios e das enchentes, iluminou séculos de noites e apagou-se em seculares madrugadas... pense, meu amigo, esse luar será o mesmo espectro tranquilo quando não mais existirem as marcas dos netos dos seus bisnetos. humilhe-se diante dele. você apareceu um instante e ele é sempre."

clarice lispector.


25.3.09

mal de muitos.

"cada pessoa é um mundo. cada pessoa tem sua própria chave e a dos outros nada resolve, só se olha para o mundo alheio por distração, por interesse, por qualquer outro sentimento que sobre nada e que nos é vital, o "mal de muitos" é consolo, mas não é solução."

clarice.


não entra não.

"este momento era único -
e ela teria durante a vida milhares de momentos únicos."

clarice, a lispector.

-
é lá que eu me encontro.

22.3.09

fecha os olhos.



não é só sobre o que se está vendo
é sobre o que se está ouvindo quando se está vendo
não é só sobre o que se está ouvindo quando se está vendo
é sobre o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
não é só sobre o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
é sobre o que se pensa quando se está sentindo o que se está ouvindo quando se está vendo
não é o que se pensa quando se está sentindo o que se está ouvindo quando se está vendo
não é o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
não é o que se está ouvindo o que se está vendo
é só o que se vê

luiz zerbini.


19.3.09

única.

"e suspeitou: por mais que tentasse racionalizá-la ou enquadrá-la, ela sempre ficaria muito além de qualquer tentativa de racionalização ou enquadramento."

c.f.a.



18.3.09

12.3.09

auto-retrato

"durmosemmeiaspalavrasacordocomabracadabras."
f.b.


4.3.09

das alegrias.

"temos esperanças novinhas em folha,
todos os dias."

caio fernando abreu.

27.2.09

samba do mar.

todos os dias de manhã acordava com o sol beijando seu rosto.
assim, aquecia os pés entre o mar de grãos de areia e enchia o peito com o azul do céu.
o mundo de água lavava a alma e o sal renovava as energias.
vez ou outra, apitava, como pequenas surpresas, a saudade.
sentia o vento jogar os cabelos para trás. brisa de mar. e através de um tapete de estrelas assistia a lua sorrindo.
hoje, você é minha.

18.2.09

sobre o essencial:

-
renovar as energias com muito sal.

"mas ela caminhava para frente,
sempre para a frente,
como se anda na praia,
o vento alisando o rosto,
levando para trás os cabelos."

clarice lispector.

8.2.09

(im)plícito.

mão. cabelo. arrepio.
boca. arrepio. pescoço.
perna. mão. arrepio.

arrepio. toda. arrepios.

4.2.09

inacreditável.

"mas que funda alegria ser mãe.
mãe é doida.
é tão doida que dela
nasceram filhos."

clarice lispector.


2.2.09

pra bom entendedor...

da coxia, o espetáculo é sempre

mais engraçado,
mais significativo,
mais dramático,

e pra mim,

mais bonito.

31.1.09

pra mim.

"certa vez, sentado em um promontório,
ouvi uma sereia montada no dorso de um golfinho
pronunciar sussurros tão doces e harmoniosos
que o rude mar tornou-se dócil à sua canção,
e algumas estrelas despencaram loucamente de suas esferas
para ouvir a música da moça do mar."

(willian shakespeare - sonho de uma noite de verão, ato II.)