14.4.09
dentro das cores.
" o meu desejo de colorir borra a parede dele
com tinta fresca
asas imaginadas, pés fora do chão,
tudo muito branco de paz por dentro."
-
eu queria morar em uma caixinha de lápis de cor.
cada dia, ia ser de uma cor.
13.4.09
fluidez.
"(...)quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão(...)"
baudelaire.
-
acho o tempo derretendo incrivelmente atraente.
8.4.09
atrás das cores.
-
acordou branca. e um dia azul, com rajadas de preto.
intrinsecamente era vermelho.
e a sua volta, amarelo. escalafobético. e também muito laranja.
falava azul claro. e lia verde. entrelinhas, era muito rosa.
e tinha vontades roxas. e pensamentos beges.
e palavras prateadas e sentidos multicor.
5.4.09
é quando é sincero.
"comigo você falará sua alma toda, mesmo em silêncio. eu falarei um dia minha alma toda, e nós não nos esgotaremos porque a alma é infinita. e além disso temos dois corpos que nos será um prazer alegre, mudo, profundo."
-
muitas conclusões cheias de sufixos.
-
muitas conclusões cheias de sufixos.
4.4.09
31.3.09
enlouquecer.
"(...)ele ergueu os olhos e, diante de meu rosto angustiado, entrefechou-os, analisando-me, compreendendo-me. houve um longo minuto de silêncio. eu esperava e tremia. sabia que esse instante era o primeiro realmente vivo entre nós, o primeiro que nos ligava diretamente. aquele momento me separava de súbito de todo o meu passado e numa singular previsão adivinhei que ele se destacaria como um ponto vermelho sobre todo o decorrer de minha vida.
eu esperava e na expectativa, todos os sentidos aguçados, eu desejaria imobilizar todo o universo, temendo que uma folha se movesse, que alguém nos interrompesse, que minha respiração, um gesto qualquer quebrasse o feitiço do momento, desvanecesse-o e fizesse-o cair novamente na distância e no vácuo das palavras. o sangue latejava-me surdamente nos pulsos, no peito, na testa. as mãos geladas e úmidas, quase insensíveis. minha ansiedade deixava-me numa tensão extrema, como pronta para me atirar num sorvedouro, como pronta para enlouquecer."
c.l.
-
enlouquecer de sentidos, é cheio de sentido.
eu esperava e na expectativa, todos os sentidos aguçados, eu desejaria imobilizar todo o universo, temendo que uma folha se movesse, que alguém nos interrompesse, que minha respiração, um gesto qualquer quebrasse o feitiço do momento, desvanecesse-o e fizesse-o cair novamente na distância e no vácuo das palavras. o sangue latejava-me surdamente nos pulsos, no peito, na testa. as mãos geladas e úmidas, quase insensíveis. minha ansiedade deixava-me numa tensão extrema, como pronta para me atirar num sorvedouro, como pronta para enlouquecer."
c.l.
-
enlouquecer de sentidos, é cheio de sentido.
30.3.09
o luar.
"(...) esse luar mais branco que o rosto de um morto, tão distante e silencioso, esse luar assistiu aos gritos dos primeiros monstros sobre a terra, velou as águas apaziguadas dos dilúvios e das enchentes, iluminou séculos de noites e apagou-se em seculares madrugadas... pense, meu amigo, esse luar será o mesmo espectro tranquilo quando não mais existirem as marcas dos netos dos seus bisnetos. humilhe-se diante dele. você apareceu um instante e ele é sempre."
clarice lispector.
clarice lispector.
25.3.09
mal de muitos.
"cada pessoa é um mundo. cada pessoa tem sua própria chave e a dos outros nada resolve, só se olha para o mundo alheio por distração, por interesse, por qualquer outro sentimento que sobre nada e que nos é vital, o "mal de muitos" é consolo, mas não é solução."
clarice.
clarice.
não entra não.
"este momento era único -
e ela teria durante a vida milhares de momentos únicos."
clarice, a lispector.
-
é lá que eu me encontro.
e ela teria durante a vida milhares de momentos únicos."
clarice, a lispector.
-
é lá que eu me encontro.
22.3.09
fecha os olhos.
não é só sobre o que se está vendo
é sobre o que se está ouvindo quando se está vendo
não é só sobre o que se está ouvindo quando se está vendo
é sobre o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
não é só sobre o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
é sobre o que se pensa quando se está sentindo o que se está ouvindo quando se está vendo
não é o que se pensa quando se está sentindo o que se está ouvindo quando se está vendo
não é o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
não é o que se está ouvindo o que se está vendo
é só o que se vê
luiz zerbini.
19.3.09
única.
"e suspeitou: por mais que tentasse racionalizá-la ou enquadrá-la, ela sempre ficaria muito além de qualquer tentativa de racionalização ou enquadramento."
c.f.a.
c.f.a.
18.3.09
12.3.09
4.3.09
27.2.09
samba do mar.
todos os dias de manhã acordava com o sol beijando seu rosto.
assim, aquecia os pés entre o mar de grãos de areia e enchia o peito com o azul do céu.
o mundo de água lavava a alma e o sal renovava as energias.
vez ou outra, apitava, como pequenas surpresas, a saudade.
sentia o vento jogar os cabelos para trás. brisa de mar. e através de um tapete de estrelas assistia a lua sorrindo.
hoje, você é minha.
assim, aquecia os pés entre o mar de grãos de areia e enchia o peito com o azul do céu.
o mundo de água lavava a alma e o sal renovava as energias.
vez ou outra, apitava, como pequenas surpresas, a saudade.
sentia o vento jogar os cabelos para trás. brisa de mar. e através de um tapete de estrelas assistia a lua sorrindo.
hoje, você é minha.
18.2.09
sobre o essencial:
-
renovar as energias com muito sal.
"mas ela caminhava para frente,
sempre para a frente,
como se anda na praia,
o vento alisando o rosto,
levando para trás os cabelos."
clarice lispector.
renovar as energias com muito sal.
"mas ela caminhava para frente,
sempre para a frente,
como se anda na praia,
o vento alisando o rosto,
levando para trás os cabelos."
clarice lispector.
8.2.09
(im)plícito.
mão. cabelo. arrepio.
boca. arrepio. pescoço.
perna. mão. arrepio.
arrepio. toda. arrepios.
boca. arrepio. pescoço.
perna. mão. arrepio.
arrepio. toda. arrepios.
4.2.09
inacreditável.
"mas que funda alegria ser mãe.
mãe é doida.
é tão doida que dela
nasceram filhos."
clarice lispector.
mãe é doida.
é tão doida que dela
nasceram filhos."
clarice lispector.
2.2.09
pra bom entendedor...
da coxia, o espetáculo é sempre
mais engraçado,
mais significativo,
mais dramático,
e pra mim,
mais bonito.
mais engraçado,
mais significativo,
mais dramático,
e pra mim,
mais bonito.
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