18.8.09

quem acredita sabe encontrar.

"... e agora começa a sorrir com uns-dentes-claros-muito-bons."

caio fernando abreu.







-
pra ela, abraços eram feito palavras ocultas.
em cada um deles descobria uma passagem secreta.
depois gostava de ficar ali, decifrando segredos.



*o que toca: snow - red hot chili peppers.

17.8.09

trajetos por teus fios.

"acordei sem a menor dificuldade, espiei a rua em silêncio, muito limpa, as azaléias vermelhas e brancas todas floridas. parecia que alguém tinha recém pintado o céu, de tão azul. respirei fundo. o ar puro da cidade lavava meus pulmões por dentro. setembro estava chegando enfim."

caio fernando abreu.


-
depois que descobriu que cada dia tinha um sabor,
se deliciava vivendo.





"então eu agradeço, eu tenho medo e espanto e terror e ao mesmo tempo maravilhamento e outras coisas com e sem nome, mas agradeço. aos deuses dos jardins, aos deuses dos homens, aos deuses do tempo e até aos das ervas daninhas que nos fazem lutar feito tigres feridos fundo no peito, sim, eu agradeço."

caio fernando abreu.




*o que toca: tangle up in plaid - queens of the stone age.

15.8.09

"- não está me reconhecendo? sou sempre eu."

"nunca tinha sido tão intenso, nem tão bonito. nunca tinha tido um jeito assim, tão forever."

caio fernando abreu.


-
hoje, abriu sua caixinha de segredos.
encontrou mãos que voam, sorrisos diversificados e
olhos que falam.

em demasia, o resto não sabia contar.




"pólen solto no ar."

caio fernando abreu.




*trilha: gatas extraordinárias - cássia eller.

14.8.09

tempo infinito num só, esse é o eterno.

-
quando acordava com os olhos cheios de estrelas,
gostava de deixar o vento a levar.
porque ela era leve. muito leve.









"deixa o vento soprar, let it be..."

caio fernando abreu.


*trilha: reckoner - radiohead.

13.8.09

num impulso aproximou ainda mais seu próprio rosto.

"...tão bonito, o outro rosto sob seus olhos."

caio fernando abreu.









-
pra ela, a melhor hora do dia
era quando ia procurar cenas em poças d'água.




*trilha: weird fishes - radiohead.

12.8.09

"se percebia pelo sutil entreabrir das pálpebras."

"viver é bom demais, dear deep. e veloz, meio gincana, às vezes. pegue tudo a que você tem direito, e nós temos direito a absolutamente tudo de bom."

caio fernando abreu.

-
era em momentos assim,
quando fazia releituras de olhares:
descobria espaços secretos.









"dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver."

caio fernando abreu.

11.8.09

faz parte do ciclo.

"tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. de sol quando acorda. de flor quando ri. ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. lambuzando o queixo de sorvete. melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. o tempo é outro. e a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver. tem gente que tem cheiro de colo de deus. de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do papai noel. tem gente que tem cheiro das estrelas que deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na terra. ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. recebendo um buquê de carinhos. abraçando um filhote de urso panda. tocando com os olhos os olhos da paz. ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração. tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. do brinquedo que a gente não largava. do acalanto que o silêncio canta. de passeio no jardim. ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. corre em outras veias. pulsa em outro lugar. ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos deus está conosco, juntinho ao nosso lado. e a gente ri grande, que nem menino arteiro."

carlos drummond de andrade.


-
mas via algo único, ali.
todas as possibilidades do novo, acontecendo.
felicidades amanhecendo.

10.8.09

onde o que a gente é apareça.

"tudo é só estrada que corre e corre, e todas as estradas vão para o mesmo lugar. que as paisagens em volta desta estrada sejam belas, então. and that's enough."

caio fernando abreu.





-
e com os dois pés, bem cravados no chão.
ela caminhava sobre a linha, feito relógio.
sem perder o compasso.



"quero porque quero cultivar roseiras."

caio fernando abreu.

9.8.09

pai, tudo de bom.


-
desde pequena, sempre tive certeza.
todo pai é o que a gente quiser.
super-herói, mágico. um exemplo.
saber fazer do todo dia um algo diferente é lindo.
uma proteção que só cabe ai. um amor fundamental. infinito.



"eu disse que achava bonito e difícil ser um tecelão de inventos cotidianos."

caio fernando abreu.

7.8.09

de todos os lados, os de fora, os de dentro, de baixo e de cima.

-
quando era dia de pescaria, ficava toda alvoroçada.
fisgava estrelas, sorrisos e segredos.
depois, ficava ali. matando sua sede de vida.









"a vida grita."

caio fernando abreu.

6.8.09

esse era o segredo, nada mais.

-
foi pegando, uma a uma. guardou dentro da cápsula.
sacudiu, sacudiu, sacudiu.
abriu e, derramou só coração.








"dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias,
confusas, somá-las, diminuí-las
e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."

caio fernando abreu.

5.8.09

porque tudo é vivo vibra brilha.

"sentia algo que não podia definir, como uma vontade louca de correr, de olhar o céu, o sol, as flores."

caio fernando abreu.







-
é que as surpresas plantadas no caminho que ela escolheu,
a faziam querer correr correr correr.
para olhar tudo, para sentir tudo, para ganhar tudo.
e era por isso que ela gostava daqueles (a)braços. os apertados.
porque era ali. era ali que ela encontrava tudo o que tinha de mais bonito na trilha.
e pedalava, corria, seguia. sem olhar para trás.


"aí de repente despencou uma baita estrela cadente,
quase do tamanho da lua, tão grande que cheguei a parar
pra ouvir o tchuááááááááááááááá da estrela caindo dentro do mar...
daí lembrei que podia fazer um pedido, ou três, não sei bem, a gente podia.

então peguei e fiz."

caio fernando abreu.

3.8.09

porque ultrapassa toda dança.

"me deu assim um disparo no coração, feito susto que não era bem susto, porque não tinha medo de nada. ou tinha: medo de uma coisa sem cara nem nome, porque não vinha de fora, mas de dentro de mim."

caio fernando abreu.




-
descobriu que a escada que existe dentro dela é encantada.
escolheu quando e como ia ser.
e foi. continuava subindo sem medo de perder o compasso, ou errar o passo.
era dela. e só.




"e — de repente — senti. estava tudo muito bonito,
e muitas vezes eu choro quando tudo está assim, bonito."

caio fernando abreu.

2.8.09

"e eu danço de olhos fechados, sem medo de perder o ritmo ou errar o passo."

"entenda, a vida tem me embalado de um jeito tão único
que só encontrei meus passos com total entrega.
quando desando, sei bem o que quero...
mas não sei se posso.
não quero licença para ser feliz.
não mais."

cecília braga.


-
de tanto ganhar segredos, ela aprendeu uma lição:
o que é bonito mesmo, de doer, vem de dentro.
porque por fora, tudo muda de cor.
é lindo, muito lindo. tão lindo de se ver.

31.7.09

era muito colorido, muito belo.

-
foram palavras macias.
era fácil perceber o que acontecia ali, era simples e muito bonito.
vinha de dentro. e tomava conta de fora.






"há algo de muito belo nisso."

caio fernando abreu.

radiohead.



"i saw a light coming home"

30.7.09

essa frugalidade das emoções.

-
segurou a linha com a ponta dos dedos.
e apertou o nó.
deu três sopros sorridentes, delicadamente.
e colocou dentro do bolso.

queria guardar, tudo o que cabia naquela linha.
tudo, tudo, tudo.





"eu fiquei olhando aquelas estrelinhas no céu do quarto,
sem entender nada."

caio fernando abreu.

29.7.09

só aquela ternura distraída.

-
mas, era feita de botões.
no desabrochar de cada um deles,
descobria pequenas particularidades de si mesma.
sorria, então.








"hoje fui ao cartomante poderoso.
ele garante: sim.
é risonho o meu futuro."

caio fernando abreu.

28.7.09

essa pequena epifania.

-
qual o sentido da vida?
a vida, vai pela esquerda.
um caminho deliciosamente sem volta.






"é tão bonito quando a gente vai à vida
nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração."

gonzaguinha.

27.7.09

pequenos momentos eternos.

-
eram insólitas, com lados de luz.
tinham um jeito manso de chegar, como se pisassem em nuvens.
mas dava pra sentir tanta tanta tanta energia.
e ela ficava assim: infinitamente lambuzada de emoções diversificadas.




"portas e janelas todos os dias escancaradas, porque era para sempre verão..."

caio fernando abreu.