"comigo você falará sua alma toda, mesmo em silêncio. eu falarei um dia minha alma toda, e nós não nos esgotaremos porque a alma é infinita. e além disso temos dois corpos que nos será um prazer alegre, mudo, profundo."
-
muitas conclusões cheias de sufixos.
4.4.09
31.3.09
enlouquecer.
"(...)ele ergueu os olhos e, diante de meu rosto angustiado, entrefechou-os, analisando-me, compreendendo-me. houve um longo minuto de silêncio. eu esperava e tremia. sabia que esse instante era o primeiro realmente vivo entre nós, o primeiro que nos ligava diretamente. aquele momento me separava de súbito de todo o meu passado e numa singular previsão adivinhei que ele se destacaria como um ponto vermelho sobre todo o decorrer de minha vida.
eu esperava e na expectativa, todos os sentidos aguçados, eu desejaria imobilizar todo o universo, temendo que uma folha se movesse, que alguém nos interrompesse, que minha respiração, um gesto qualquer quebrasse o feitiço do momento, desvanecesse-o e fizesse-o cair novamente na distância e no vácuo das palavras. o sangue latejava-me surdamente nos pulsos, no peito, na testa. as mãos geladas e úmidas, quase insensíveis. minha ansiedade deixava-me numa tensão extrema, como pronta para me atirar num sorvedouro, como pronta para enlouquecer."
c.l.
-
enlouquecer de sentidos, é cheio de sentido.
eu esperava e na expectativa, todos os sentidos aguçados, eu desejaria imobilizar todo o universo, temendo que uma folha se movesse, que alguém nos interrompesse, que minha respiração, um gesto qualquer quebrasse o feitiço do momento, desvanecesse-o e fizesse-o cair novamente na distância e no vácuo das palavras. o sangue latejava-me surdamente nos pulsos, no peito, na testa. as mãos geladas e úmidas, quase insensíveis. minha ansiedade deixava-me numa tensão extrema, como pronta para me atirar num sorvedouro, como pronta para enlouquecer."
c.l.
-
enlouquecer de sentidos, é cheio de sentido.
30.3.09
o luar.
"(...) esse luar mais branco que o rosto de um morto, tão distante e silencioso, esse luar assistiu aos gritos dos primeiros monstros sobre a terra, velou as águas apaziguadas dos dilúvios e das enchentes, iluminou séculos de noites e apagou-se em seculares madrugadas... pense, meu amigo, esse luar será o mesmo espectro tranquilo quando não mais existirem as marcas dos netos dos seus bisnetos. humilhe-se diante dele. você apareceu um instante e ele é sempre."
clarice lispector.
clarice lispector.
25.3.09
mal de muitos.
"cada pessoa é um mundo. cada pessoa tem sua própria chave e a dos outros nada resolve, só se olha para o mundo alheio por distração, por interesse, por qualquer outro sentimento que sobre nada e que nos é vital, o "mal de muitos" é consolo, mas não é solução."
clarice.
clarice.
não entra não.
"este momento era único -
e ela teria durante a vida milhares de momentos únicos."
clarice, a lispector.
-
é lá que eu me encontro.
e ela teria durante a vida milhares de momentos únicos."
clarice, a lispector.
-
é lá que eu me encontro.
22.3.09
fecha os olhos.
não é só sobre o que se está vendo
é sobre o que se está ouvindo quando se está vendo
não é só sobre o que se está ouvindo quando se está vendo
é sobre o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
não é só sobre o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
é sobre o que se pensa quando se está sentindo o que se está ouvindo quando se está vendo
não é o que se pensa quando se está sentindo o que se está ouvindo quando se está vendo
não é o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
não é o que se está ouvindo o que se está vendo
é só o que se vê
luiz zerbini.
19.3.09
única.
"e suspeitou: por mais que tentasse racionalizá-la ou enquadrá-la, ela sempre ficaria muito além de qualquer tentativa de racionalização ou enquadramento."
c.f.a.
c.f.a.
18.3.09
12.3.09
4.3.09
27.2.09
samba do mar.
todos os dias de manhã acordava com o sol beijando seu rosto.
assim, aquecia os pés entre o mar de grãos de areia e enchia o peito com o azul do céu.
o mundo de água lavava a alma e o sal renovava as energias.
vez ou outra, apitava, como pequenas surpresas, a saudade.
sentia o vento jogar os cabelos para trás. brisa de mar. e através de um tapete de estrelas assistia a lua sorrindo.
hoje, você é minha.
assim, aquecia os pés entre o mar de grãos de areia e enchia o peito com o azul do céu.
o mundo de água lavava a alma e o sal renovava as energias.
vez ou outra, apitava, como pequenas surpresas, a saudade.
sentia o vento jogar os cabelos para trás. brisa de mar. e através de um tapete de estrelas assistia a lua sorrindo.
hoje, você é minha.
18.2.09
sobre o essencial:
-
renovar as energias com muito sal.
"mas ela caminhava para frente,
sempre para a frente,
como se anda na praia,
o vento alisando o rosto,
levando para trás os cabelos."
clarice lispector.
renovar as energias com muito sal.
"mas ela caminhava para frente,
sempre para a frente,
como se anda na praia,
o vento alisando o rosto,
levando para trás os cabelos."
clarice lispector.
8.2.09
(im)plícito.
mão. cabelo. arrepio.
boca. arrepio. pescoço.
perna. mão. arrepio.
arrepio. toda. arrepios.
boca. arrepio. pescoço.
perna. mão. arrepio.
arrepio. toda. arrepios.
4.2.09
inacreditável.
"mas que funda alegria ser mãe.
mãe é doida.
é tão doida que dela
nasceram filhos."
clarice lispector.
mãe é doida.
é tão doida que dela
nasceram filhos."
clarice lispector.
2.2.09
pra bom entendedor...
da coxia, o espetáculo é sempre
mais engraçado,
mais significativo,
mais dramático,
e pra mim,
mais bonito.
mais engraçado,
mais significativo,
mais dramático,
e pra mim,
mais bonito.
31.1.09
pra mim.
"certa vez, sentado em um promontório,
ouvi uma sereia montada no dorso de um golfinho
pronunciar sussurros tão doces e harmoniosos
que o rude mar tornou-se dócil à sua canção,
e algumas estrelas despencaram loucamente de suas esferas
para ouvir a música da moça do mar."
(willian shakespeare - sonho de uma noite de verão, ato II.)
ouvi uma sereia montada no dorso de um golfinho
pronunciar sussurros tão doces e harmoniosos
que o rude mar tornou-se dócil à sua canção,
e algumas estrelas despencaram loucamente de suas esferas
para ouvir a música da moça do mar."
(willian shakespeare - sonho de uma noite de verão, ato II.)
16.12.08
calou.
eu amo tudo o que foi,
tudo o que já não é,
a dor que já me não dói,
a antiga e errônea fé,
o ontem que dor deixou,
o que deixou alegria
só porque foi, e voou
e hoje é já outro dia.
fernando pessoa.
tudo o que já não é,
a dor que já me não dói,
a antiga e errônea fé,
o ontem que dor deixou,
o que deixou alegria
só porque foi, e voou
e hoje é já outro dia.
fernando pessoa.
11.12.08
sobre o que acontece.
"há uma primavera em cada vida:
é preciso cantá-la assim florida,
pois se deus nos deu voz, foi para cantar!
e se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder, para me encontrar."
florbela espanca.
é preciso cantá-la assim florida,
pois se deus nos deu voz, foi para cantar!
e se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder, para me encontrar."
florbela espanca.
3.12.08
me and cinderella.
-
"hey, come on try a little
nothing is forever
there's got to be something better than
in the middle."
28.11.08
eu tô falando é de sonho.
-
"há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; e um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
alberto caeiro.
"há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; e um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
alberto caeiro.
25.11.08
19.11.08
hoje, contei pras paredes.
-
"tinha suspirado. tinha beijado o papel devotamente. era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas. como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. sentia um acréscimo de estima por si mesma. parecia-lhe que entrava, enfim, uma existência superiormente interessante. onde cada hora tinha o seu encanto diferente. cada passo conduzia a um êxtase. e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."
"tinha suspirado. tinha beijado o papel devotamente. era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas. como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. sentia um acréscimo de estima por si mesma. parecia-lhe que entrava, enfim, uma existência superiormente interessante. onde cada hora tinha o seu encanto diferente. cada passo conduzia a um êxtase. e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."
13.11.08
pensando demais.
"... remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tensões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
12.11.08
um sopro de vida.
" (...) mas, mesmo assim, me surpreendo como é que hoje já é maio, se ontem era fevereiro? cada minuto que vem é um milagre que não se repete."
clarice lispector.
clarice lispector.
11.11.08
7.11.08
sobre o tempo.
...e ando ainda atrás
desse tempo ter
pude não correr
dele me encontrar...
rodrigo amarante.
desse tempo ter
pude não correr
dele me encontrar...
rodrigo amarante.
29.10.08
fato.
"porque você não pode voltar atrás no que vê. você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
16.10.08
sequência.
"não sei como me defender dessa ternura que cresce escondido e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo."
.
caio fernando abreu.
.
caio fernando abreu.
14.10.08
das lições da vida.
"porque esse talvez seja o único remédio quando ameaça doer demais: invente uma boa abobrinha e ria, feito louco feito idiota, ria até que o que parece trágico perca o sentido e fique tão ridículo que só sobra mesmo a vontade de dar uma boa gargalhada."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
30.9.08
24.9.08
ai se sessê.
"se um dia nois se gostasse. se um dia nois se queresse. se nois dois se empareasse. se juntim nois dois vivesse. se juntim nois dois morasse. se juntim nois dois drumisse. se juntim nois dois morresse. se pro céu nois assubisse. mas porém acontecesse de são pedro não abrisse a porta do céu. e fosse te dizer qualquer tulice. e se eu me arriminasse. e tu cum eu insistisse. pra que eu me arresolvesse. e a minha faca puxasse. e o bucho do céu furasse. tarvês que nois dois ficasse. tarvês que nois dois caisse. e o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse."
cordel do fogo encantado.
cordel do fogo encantado.
16.9.08
música.
Dance Me To The End Of Love
Madeleine Peyroux.
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Madeleine Peyroux.
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
28.7.08
27.7.08
o futuro, a quem pertence?
"abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo. mas o segredo, este não vejo nem sinto. o futuro é meu enquanto eu viver. no futuro vai ter mais tempo de viver, e, de cambulhada escrever. eu não escrevo cartas pra você porque só sei ser íntima. aliás, eu só sei em todas as circunstâncias ser íntima: por isso sou mais uma calada. tudo o que nunca se fez, far-se-á um dia?"
clarice lispector.
clarice lispector.
24.7.08
21.7.08
e é.
"já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis. já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém. já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei. já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, “quebrei a cara” muitas vezes. já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei só por um sorriso, já pensei que fosse morrer de saudade e tive medo de perder alguém especial, e acabei perdendo. mas vivi. e ainda vivo. não passo pela vida. e você também não deveria passar. viva. bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante."
chaplin.
chaplin.
14.7.08
onde o velho e o novo sempre se misturam.
"é tão belo como um sim
numa sala negativa.
belo por que é uma porta
abrindo-se em mais saídas.
belo como a última onda
que o fim do mar sempre adia.
é tão belo como as ondas
em sua adição infinita.
belo por que tem de novo
a surpresa e a alegria.
e belo por que com o novo
todo o velho contagia."
joão cabral de melo neto.
numa sala negativa.
belo por que é uma porta
abrindo-se em mais saídas.
belo como a última onda
que o fim do mar sempre adia.
é tão belo como as ondas
em sua adição infinita.
belo por que tem de novo
a surpresa e a alegria.
e belo por que com o novo
todo o velho contagia."
joão cabral de melo neto.
9.7.08
brincar de vida.
"vai menina, fecha os olhos. solta os cabelos. joga a vida. como quem não tem o que perder. como quem não aposta. como quem brinca somente. vai, esquece do mundo. molha os pés na poça. mergulha no que te dá vontade. que a vida não espera por você. abraça o que te faz sorrir. sonha que é de graça. não espere. promessas, vão e vem. planos, se desfazem. regras, você as dita. palavras, o vento leva. distância, só existe pra quem quer. sonhos, se realizam, ou não. e o que importa você sabe, menina. é o quão isso te faz sorrir. e só."
-
pequenas felicidades certas.
-
pequenas felicidades certas.
7.7.08
a lhe dar.
(...)
- mas não seria natural.
- natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- natural é encontrar. natural é perder.
- linhas paralelas se encontram no infinito.
- o infinito não acaba. o infinito é nunca.
- ou sempre.
caio fernando abreu.
- mas não seria natural.
- natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- natural é encontrar. natural é perder.
- linhas paralelas se encontram no infinito.
- o infinito não acaba. o infinito é nunca.
- ou sempre.
caio fernando abreu.
4.7.08
lacuna.
"fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. um dia a gente se encontra."
mário lago.
mário lago.
27.6.08
(entre)linhas.
e depois de sete vezes setecentos dias, abriu a janela e olhou para o céu.
ele ainda estava lá: manga e chumbo, como o tinha deixado:
pura
chama.
sempre está.
antes, tem que saber mais dessas pessoas que andam pelas ruas com as mãos
postas no coração,
a um só tempo suplicando e agradecendo.
pessoas comuns e desimportantes com cara de ninguém,
com cara de nada, cara de nem existir, de só passar e colher
uma flor alheia
para um altar alheio, mas
têm amor ali naquelas mãos.
essas pessoas são andores.
e o santo delas não é de barro.
[renata]
ele ainda estava lá: manga e chumbo, como o tinha deixado:
pura
chama.
sempre está.
antes, tem que saber mais dessas pessoas que andam pelas ruas com as mãos
postas no coração,
a um só tempo suplicando e agradecendo.
pessoas comuns e desimportantes com cara de ninguém,
com cara de nada, cara de nem existir, de só passar e colher
uma flor alheia
para um altar alheio, mas
têm amor ali naquelas mãos.
essas pessoas são andores.
e o santo delas não é de barro.
[renata]
24.6.08
rasgando o verbo.
"mas quem sente muito, cala;
quem quer dizer quanto sente
fica sem alma nem fala,
fica só, inteiramente."
quem quer dizer quanto sente
fica sem alma nem fala,
fica só, inteiramente."
23.6.08
17.6.08
demais.
só as suas mãos me acalmam. só o seu olhar me entende.
só os seus carinhos me arrepiam. só o seu amor me completa.
só os seus carinhos me arrepiam. só o seu amor me completa.
15.6.08
trecho.
"acariciar lentamente o teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. e, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. e já existe um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim como uma lua na água."
julio cortázar, o jogo da amarelinha.
julio cortázar, o jogo da amarelinha.
13.6.08
ninguém me canta como você.
"ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olhos
e não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você."
alice ruiz.
-
um encantamento maior de contente.
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olhos
e não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você."
alice ruiz.
-
um encantamento maior de contente.
"o essencial é invisível aos olhos."
"a gente se apertou um contra o outro. a gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
12.6.08
de bem.
"a vantagem de ter péssima memória
é divertir-se muitas vezes
com as mesmas coisas boas
como se fosse a primeira vez."
nietzsche.
é divertir-se muitas vezes
com as mesmas coisas boas
como se fosse a primeira vez."
nietzsche.
11.6.08
9.6.08
tudo bem.
"no fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem."
6.6.08
5.6.08
4.6.08
sério.
vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? e há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? e que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? e que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? e que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no planeta? vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
e de luar? que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar…
vamo brincá de pinel? que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
vamo brincá de ninho? e de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
vamo brincá de autista? que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? bom-dia, leitor. tô brincando de ilha.
crônica de hilda hilst.
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
e de luar? que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar…
vamo brincá de pinel? que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
vamo brincá de ninho? e de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
vamo brincá de autista? que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? bom-dia, leitor. tô brincando de ilha.
crônica de hilda hilst.
3.6.08
deep.
"assim que te amo, e os que amanhã quiserem ouvir o que não lhes direi, que o leiam aqui e retrocedam hoje porque é cedo para tais argumentos. amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da árvore do nosso amor, uma folha que há-de cair sobre a terra como se a tivessem produzido os nossos lábios, como um beijo caído das nossas alturas invencíveis, para mostrar o fogo e a ternura de um amor verdadeiro."
neruda.
neruda.
2.6.08
28.5.08
pro meu amor.
seus dedos em minha pele são arrepios.
a cada deslizar, desabrocho.
sua boca, em mim. soerguem flores, em cada um dos meus poros.
você provoca em mim, infinitos suspiros.
a cada deslizar, desabrocho.
sua boca, em mim. soerguem flores, em cada um dos meus poros.
você provoca em mim, infinitos suspiros.
26.5.08
do amor.
"e quando notou que aceitava em pleno o amor, sua alegria foi tão grande que o coração lhe batia por todo o corpo, parecia-lhe que mil corações batiam-lhe nas profundezas de sua pessoa."
clarice lispector.
clarice lispector.
19.5.08
do jeito que tem que ser.
"a gente tem o direito de deixar o barco correr.
as coisas se arranjam,
não é preciso empurrar com tanta força."
clarice lispector.
as coisas se arranjam,
não é preciso empurrar com tanta força."
clarice lispector.
12.5.08
dos momentos.
há quem diga que a vida é toda feita de momentos...
eu concordo.
momentos doces,
momentos tristes,
momentos pra sempre,
momentos nunca mais,
momentos agora,
pequenos momentos que guardamos no diário da memória e cravamos na superfície do coração.
agora, vivo intensos momentos de amor.
os deliciosos momentos pra sempre. daqueles que a gente faz questão de guardar pra sempre com a gente.
coloco cada um deles num pequeno espaço do grande espaço que ainda tem pra guardar.
e sempre cabe mais, sempre.
eu concordo.
momentos doces,
momentos tristes,
momentos pra sempre,
momentos nunca mais,
momentos agora,
pequenos momentos que guardamos no diário da memória e cravamos na superfície do coração.
agora, vivo intensos momentos de amor.
os deliciosos momentos pra sempre. daqueles que a gente faz questão de guardar pra sempre com a gente.
coloco cada um deles num pequeno espaço do grande espaço que ainda tem pra guardar.
e sempre cabe mais, sempre.
6.5.08
escolha.
"não sei, deixo rolar. vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
5.5.08
29.4.08
22.4.08
fusão de amor.
o amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca.
o amor revela as qualidades sublimes e ocultas do que ama,
- o que nele há de raro, de excepcional: nesse aspecto
facilmente engana quanto ao que nele há de habitual.
se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor
foge de todas as explicações possíveis.
as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar.
amo como ama o amor. não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero
dizer-te é que te amo?
o amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são.
e desde então, sou porque tu és,
e desde então és,
sou e somos,
e por amor
serei, serás, seremos.
e que a minha loucura seja perdoada.
porque metade de mim é amor e a outra metade… também.
este texto reúne pensamentos das seguintes pessoas, em ordem de aparição:
1º, Antoine de Saint-Exupèry
2º, F. Nietzsche
3º, Carlos Drummond de Andrade
4º, Leonardo da Vinci
5º, Fernando Pessoa
6º, F. Nietzsche de novo
7º, Pablo Neruda
8º, Ferreira Gullar
demais, né não?
o amor revela as qualidades sublimes e ocultas do que ama,
- o que nele há de raro, de excepcional: nesse aspecto
facilmente engana quanto ao que nele há de habitual.
se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor
foge de todas as explicações possíveis.
as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar.
amo como ama o amor. não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero
dizer-te é que te amo?
o amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são.
e desde então, sou porque tu és,
e desde então és,
sou e somos,
e por amor
serei, serás, seremos.
e que a minha loucura seja perdoada.
porque metade de mim é amor e a outra metade… também.
este texto reúne pensamentos das seguintes pessoas, em ordem de aparição:
1º, Antoine de Saint-Exupèry
2º, F. Nietzsche
3º, Carlos Drummond de Andrade
4º, Leonardo da Vinci
5º, Fernando Pessoa
6º, F. Nietzsche de novo
7º, Pablo Neruda
8º, Ferreira Gullar
demais, né não?
13.3.08
do rosa.
"eles se disseram,
assim eles dois,
coisas GRANDES em palavras pequenas,
ti a mim, me a ti, e tanto."
5.3.08
21.2.08
dois.
"eu te conheço até o osso por intermédio de uma encantação que vem de mim para ti. só há uma coisa que me separa de você: o ar entre nós dois. às vezes para ultrapassar esse quase cruel afastamento, eu respiro na tua boca que então me respira e eu te respiro."
20.2.08
7.2.08
31.1.08
relógio.
quando coração é relógio, essa coisa de tempo fica meio estranha.
a gente espera e parece que não passa.
quando não espera, é sem ver.
a gente espera e parece que não passa.
quando não espera, é sem ver.
30.1.08
28.1.08
nós dois.
- coelha, coelha. eu te amo.
ela afastou as franjas da coberta e voltou a face para a parede. ficou enrolando no dedo um anel de cabelo.
- tão bom, amor.
- vamos casar, coelha? vamos casar? quero casar imediatamente, ahn? vamos? gostoso casar, vamos, coelha?
- vamos. vamos.
ela afastou as franjas da coberta e voltou a face para a parede. ficou enrolando no dedo um anel de cabelo.
- tão bom, amor.
- vamos casar, coelha? vamos casar? quero casar imediatamente, ahn? vamos? gostoso casar, vamos, coelha?
- vamos. vamos.
6.12.07
28.11.07
26.11.07
o rosa.
-
"mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. diga o senhor: como um feitiço? isso. feito coisa feita. era ele estar perto de mim, e nada me faltava. era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. era ele estar por longe, e eu só nele pensava. e eu mesmo não entendia então o que aquilo era? sei que sim. mas não. e eu mesmo entender não queria..."
"mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. diga o senhor: como um feitiço? isso. feito coisa feita. era ele estar perto de mim, e nada me faltava. era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. era ele estar por longe, e eu só nele pensava. e eu mesmo não entendia então o que aquilo era? sei que sim. mas não. e eu mesmo entender não queria..."
24.10.07
clarice lispector.
-
mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
que tem que ser vivido
até a última gota.
sem nenhum medo.
não mata.
(- muito pelo contrário, deixa vivo e muito.)
mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
que tem que ser vivido
até a última gota.
sem nenhum medo.
não mata.
(- muito pelo contrário, deixa vivo e muito.)
3.10.07
sobre a realidade.
-
de tanto sonhar, o sonho da menina da janela agora é realidade.
e ela já não precisa mais fazer força pra fechar os olhos. ela vive constantemente sonhando acordada. eita!
de tanto sonhar, o sonho da menina da janela agora é realidade.
e ela já não precisa mais fazer força pra fechar os olhos. ela vive constantemente sonhando acordada. eita!
26.9.07
abertos.
-
aquela menina, a da janela, que gostava de sonhar acordada, agora já não sonha mais.
ela percebeu que não adianta fechar os olhos pra realidade e que na maioria das vezes, sonhos são apenas sonhos.
- abre os olhos, menina! já chega de sonhar acordada.
e foi o que ela fez. é fato, ela ainda acredita nos seus sonhos, mas não sonha mais acordada. um pé já se aproxima do chão.
- continua menina, continua que uma hora você acorda pra sempre.
mas a menina não sabe se quer acordar pra sempre. pelo menos, no mundo dos sonhos, a dor e a tristeza acabam na hora que ela manda. e assim ela fica, parada na janela. não a sonhar e sim de olhos bem abertos, tentando encontrar seus sonhos.
aquela menina, a da janela, que gostava de sonhar acordada, agora já não sonha mais.
ela percebeu que não adianta fechar os olhos pra realidade e que na maioria das vezes, sonhos são apenas sonhos.
- abre os olhos, menina! já chega de sonhar acordada.
e foi o que ela fez. é fato, ela ainda acredita nos seus sonhos, mas não sonha mais acordada. um pé já se aproxima do chão.
- continua menina, continua que uma hora você acorda pra sempre.
mas a menina não sabe se quer acordar pra sempre. pelo menos, no mundo dos sonhos, a dor e a tristeza acabam na hora que ela manda. e assim ela fica, parada na janela. não a sonhar e sim de olhos bem abertos, tentando encontrar seus sonhos.
24.9.07
20.9.07
17.9.07
acorda!
-
de tanto querer sonhar, a menina na janela não consegue mais parar de dormir.
sono, muito sono.
de tanto querer sonhar, a menina na janela não consegue mais parar de dormir.
sono, muito sono.
13.9.07
do bom.
-
por algumas noites, a menina que sonha na janela tem seu sonho realizado.
e pra ela, esse é o melhor momento do dia. porque ela sonha acordada.
por algumas noites, a menina que sonha na janela tem seu sonho realizado.
e pra ela, esse é o melhor momento do dia. porque ela sonha acordada.
12.9.07
a menina da janela.
- acorda menina!!!
gritou uma voz bem de longe. que ecoou, e c o o u...
- aco o o o rda!
mas a menina na janela nem queria saber de acordar.
- acorda menina, que esse sonho já deu já!
ela tentava abrir os olhos, ainda muito apertados contra as maçãs do rosto, mas pareciam colados. pesados. cansados.
- deixa esse sonho pra lá. nunca vi insistir no que não dá.
o que a voz não sabia era que a menina só gostava de sonhar. e, da janela fez sua cama e do que acredita fez seu sonho. e continuava lá, sem querer parar de sonhar.
- já sei então, troque o sonho.
pra menina ia ser difícil desistir do que andava a sonhar, mas ela decidiu que pode tentar.
e da janela, a menina ainda continua a sonhar...
gritou uma voz bem de longe. que ecoou, e c o o u...
- aco o o o rda!
mas a menina na janela nem queria saber de acordar.
- acorda menina, que esse sonho já deu já!
ela tentava abrir os olhos, ainda muito apertados contra as maçãs do rosto, mas pareciam colados. pesados. cansados.
- deixa esse sonho pra lá. nunca vi insistir no que não dá.
o que a voz não sabia era que a menina só gostava de sonhar. e, da janela fez sua cama e do que acredita fez seu sonho. e continuava lá, sem querer parar de sonhar.
- já sei então, troque o sonho.
pra menina ia ser difícil desistir do que andava a sonhar, mas ela decidiu que pode tentar.
e da janela, a menina ainda continua a sonhar...
9.9.07
6.9.07
paradoxo.
-
vou dar um nó bem forte e um laço bem bonito na ponta,
pra não escapar por nada.
(...) a menina que fica sonhando na janela abriu os olhos, por alguns segundos.
agora, ela queria ver flor de maracujá. cansou de esperar estrela cadente.
mas um pé continua a vagar na lua, enquanto o outro busca a firmeza da terra.
ela busca as estrelas, mas só consegue ver a poeira da terra.
ela quer mais é sonhar, a menina.
e novamente fechou os olhos e apertou contra as maçãs do rosto, bem forte, e com eles bem fechados, tentou voltar a sonhar e a sonhar, sonhar...
vou dar um nó bem forte e um laço bem bonito na ponta,
pra não escapar por nada.
(...) a menina que fica sonhando na janela abriu os olhos, por alguns segundos.
agora, ela queria ver flor de maracujá. cansou de esperar estrela cadente.
mas um pé continua a vagar na lua, enquanto o outro busca a firmeza da terra.
ela busca as estrelas, mas só consegue ver a poeira da terra.
ela quer mais é sonhar, a menina.
e novamente fechou os olhos e apertou contra as maçãs do rosto, bem forte, e com eles bem fechados, tentou voltar a sonhar e a sonhar, sonhar...
31.8.07
da janela de cá.
-
a menina que sonha não se cansa de ficar na janela. esperando estrela cadente cair.
mas a única coisa que vê é uma cortina. feita de estrelas.
isso significa esperança pra ela. a certeza de que a sua estrela cadente ainda há de cair. enquanto isso, ela continua a sonhar na janela,
a menina que sonha não se cansa de ficar na janela. esperando estrela cadente cair.
mas a única coisa que vê é uma cortina. feita de estrelas.
isso significa esperança pra ela. a certeza de que a sua estrela cadente ainda há de cair. enquanto isso, ela continua a sonhar na janela,
27.8.07
sobre a afinidade.
-
é ficar longe, pensando parecido.
olhar, sem trocar palavras.
é conversar no silêncio. é sentir com.
é ficar longe, pensando parecido.
olhar, sem trocar palavras.
é conversar no silêncio. é sentir com.
25.8.07
o quereres.
-
e onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alto eu sou o chão.
(...)
infinitamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim.
.veloso, o caetano.
e onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alto eu sou o chão.
(...)
infinitamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim.
.veloso, o caetano.
21.8.07
arte de ser feliz.
houve um tempo em que minha janela se abria para um chalé. na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. nesse ovo costumava pousar um pombo branco. ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava na mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.
houve um tempo em que minha janela dava para um canal. no canal oscilava um barco. um barco carregado de flores. para onde iam as flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? e que mãos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.
houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. à sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. e contava histórias. eu não a podia ouvir, da altura da janela e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e as vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. perto da janela havia um jardim quase seco. era numa época de estiagem, da terra esfarelada, e o jardim parecia morto. mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. e eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. outras vezes encontro nuvens espessas. avisto crianças que vão para a escola. pardais que pulam o muro. gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. marimbondos que sempre me parecem personagens de lope de vega. às vezes, um galo canta. às vezes, um avião passa. tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. eu me sinto completamente feliz.
mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para pode vê-las assim.
cecília meireles, escolha o seu sonho.
-
são as horinhas de descuido. acho lindo!
houve um tempo em que minha janela dava para um canal. no canal oscilava um barco. um barco carregado de flores. para onde iam as flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? e que mãos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.
houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. à sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. e contava histórias. eu não a podia ouvir, da altura da janela e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e as vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. perto da janela havia um jardim quase seco. era numa época de estiagem, da terra esfarelada, e o jardim parecia morto. mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. e eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. outras vezes encontro nuvens espessas. avisto crianças que vão para a escola. pardais que pulam o muro. gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. marimbondos que sempre me parecem personagens de lope de vega. às vezes, um galo canta. às vezes, um avião passa. tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. eu me sinto completamente feliz.
mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para pode vê-las assim.
cecília meireles, escolha o seu sonho.
-
são as horinhas de descuido. acho lindo!
20.8.07
18.8.07
14.8.07
dois lados.
-
escrever é abrir a alma. desnudar-se.
através da escrita, enxergo quem você é.
falo, para não comunicar.
através de minhas palavras mostro o que sou.
escrever é abrir a alma. desnudar-se.
através da escrita, enxergo quem você é.
falo, para não comunicar.
através de minhas palavras mostro o que sou.
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