"o céu está cada vez mais claro. alguns pássaros começam a cantar. tenho vontade de cantar também. um canto feito de palavras, não como o antigo. 'daqui a pouco vai amanhecer. há um vago cheiro de mar solto nas ruas...'"
caio fernando abreu.
-
e tá tudo tão completo, que preenche o ser.
os tons variam entre a delicadeza e a sutileza.
as formas, entre o imponente e o encantador.
instigante, beibe.
e a menina, aumentava cada vez mais a sua paleta de cores.
"então uma canção brotou do fim de mim, e eu cantei..."
caio fernando abreu.
30.6.09
29.6.09
como um ritual.
"e a alegria crescia, expandindo-se em muitas direções, tomando conta das mãos, dos olhos, já transcendia o pensamento para se apossar do corpo inteiro."
caio fernando abreu.
-
era quando acordava com o sol aquecendo os pensamentos.
a expansão, tornava-se cada vez mais evidente.
e era tão quente. tão bom, menino.
28.6.09
quero um instante assim, barroco.
"hoje ouvi várias vezes: você está com uma cara tão boa."
caio fernando abreu.
-
daqueles, roubados. bem de canto.
diversificados.
e ela, caminhava colorido.
caio fernando abreu.
-
daqueles, roubados. bem de canto.
diversificados.
e ela, caminhava colorido.
27.6.09
a gente se entrega nas menores coisas.
-
parece simples,
mas eu acho tão bonito.
ver a vida como faz o mar,
num grão de areia.
"caminhavam assim, lembrando juntos letras de bossa-nova. ela imitava Nara Leão: se-alguém-perguntar-por-mim. ele, Dick Farney: pelas-manhãs-tu-és-a-vida-a-cantar. nada sabiam de punks, darks, neons, cults, noirs. eram tão antigos caminhando de mãos dadas naquela areia luminosa, macia de pisar quando os pés afundam nela lentamente. tão bom encontrar você, um cantinho, um violão."
caio fernando abreu.
26.6.09
o infinito é nunca. ou sempre.
"tudo explodia num plano muito mais alto, muito mais intenso. nos desvendávamos com a fúria dos que antecipadamente sabem que não vão conseguir jamais."
caio fernando abreu.
-
esses códigos cobertos de flores.
carregados de cheiros.
transbordando de cores. expelindo sabores.
toma, guarda.
você sabe, ele disse. que a melhor sensação é só sua.
amarrou com um laço na ponta.
toma, leve um sorriso meu. um brilho disparou de seu olhar.
olha, tá chovendo lantejoulas.
caio fernando abreu.
-
esses códigos cobertos de flores.
carregados de cheiros.
transbordando de cores. expelindo sabores.
toma, guarda.
você sabe, ele disse. que a melhor sensação é só sua.
amarrou com um laço na ponta.
toma, leve um sorriso meu. um brilho disparou de seu olhar.
olha, tá chovendo lantejoulas.
25.6.09
é um vento mágico, dizem.
"ela explicava, sorrindo — um sorriso diferente dos que costumava sorrir:
— não, gurizinho. quando a gente gosta mesmo duma pessoa, a gente faz essas coisas.
— calou um momento, depois acrescentou:
— faz até pior.
— pior, como? lamber o prato que a pessoa come?".
caio fernando abreu.
-
é que há nuvens.
e quando as nuvens se amontoam,
chove estrelas e lua.
— não, gurizinho. quando a gente gosta mesmo duma pessoa, a gente faz essas coisas.
— calou um momento, depois acrescentou:
— faz até pior.
— pior, como? lamber o prato que a pessoa come?".
caio fernando abreu.
-
é que há nuvens.
e quando as nuvens se amontoam,
chove estrelas e lua.
24.6.09
sem forma, sem termo.
" o que quero dizer é que não houve mesmo nada especialmente prévio. nenhum aviso, nenhuma suspeita. "aconteceu sem um sino pra tocar"..."
caio fernando abreu.
-
e é quando um pouco do brilho vai embora.
aquela coisa bonita,
que só existe dentro das criaturas mais puras: as crianças.
essas coisas deveriam ser proíbidas de acontecer com elas.
um pouco mais dos anjos. de guarda.
o que deveria ser, não cabe.
não se expressa.
caio fernando abreu.
-
e é quando um pouco do brilho vai embora.
aquela coisa bonita,
que só existe dentro das criaturas mais puras: as crianças.
essas coisas deveriam ser proíbidas de acontecer com elas.
um pouco mais dos anjos. de guarda.
o que deveria ser, não cabe.
não se expressa.
23.6.09
uns cheiros, uns charmes. essas coisas.
"e o essencial eram as coisas que coloriram a minha vida."
caio fernando abreu.
-
daquelas noites, sabe?
em que você é super-herói, gueixa e a princesa do castelo.
daqueles amores fundamentais.
daqueles sabores essenciais.
sentimentos diversificados.
22.6.09
tempestade de estrelas coloridas.
-
aquele cheiro, bom.
de borboletas no estômago.
fechou os olhos e saltou.
sem medo.
20.6.09
eram inteiros leveza.
-
é quando a noite é de lua que ri.
de delicadezas que envolvem.
no encontro de olhos,
soerguem flores.
19.6.09
cheia de luz.
-
e o mais bonito foi quando ela descobriu.
que pudia ouvir e entender estrelas.
só quem ama pode.
18.6.09
aquele astral, bonito.
-
e foi assim. desde a hora que abriu os olhos.
teve certeza: hoje, seria um dia mágico.
17.6.09
coisas grandes, pequenas. algumas.
-
esse era seu maior prazer. redescobrir magias.
pequenas felicidades certas.
16.6.09
cadência.
"quando ela demorava a acordar e ele insistia cantando cantigas inventadas num ritmo de caixinha de música: venha ver o sol, oh meu amor! vista sua saia, vamos para a praia! o dia está tão lindo oh meu amor! hoje é domingo lindo de sol."
caio fernando abreu.
-
feito música para os ouvidos.
e ela cantava. contava. encantava. recontava. e, cantava.
caio fernando abreu.
-
feito música para os ouvidos.
e ela cantava. contava. encantava. recontava. e, cantava.
essa coisa gentil.
-
gostava de saltar. dois a dois.
era assim que fazia quando o coração virava relógio.
15.6.09
é que eu me sinto como.
"vai um cheirinho de alecrim e muito carinho."
caio fernando abreu.
-
cheiro. bom. sempre. cheiro. é. cheirosa. vírgula.
banho. cheiro. ponto. de arrepiar. vírgula. cheiro.
cheiro de. cheiro. ponto. louco. cheiro. vírgula. só de cheiro?
cheiro. ponto final. cheiros sem fim.
14.6.09
mas o que tinha, era seu.
"azul, azul, inteiramente azul, azul carinho, quase transparente, azul de água clara com pedrinhas no fundo..."
caio fernando abreu.
-
andava com aquela rima grudada na boca.
e, de olhos virados.
as mãos levemente envolvidas.
nós, que não atam nem desatam.
13.6.09
do tamanho do mundo.
-
aqueles dois...
eram como pépé e stella.
cada um tinha a sua estrela. escolhida a dedo.
um presente.
era só pra ter a certeza.
de que quando olhassem pra cima, estariam olhando dentro dos olhos um do outro.
"- você gosta de estrelas?
- gosto.
você também?
- também.
você está olhando a lua?
- quase cheia.
em virgem.
- amanhã faz conjunção com júpiter.
- com saturno também.
- isso é bom?
- eu não sei.
deve ser.
- é sim.
bom encontrar você.
- também acho.
(silêncio)"
caio fernando abreu.
aqueles dois...
eram como pépé e stella.
cada um tinha a sua estrela. escolhida a dedo.
um presente.
era só pra ter a certeza.
de que quando olhassem pra cima, estariam olhando dentro dos olhos um do outro.
"- você gosta de estrelas?
- gosto.
você também?
- também.
você está olhando a lua?
- quase cheia.
em virgem.
- amanhã faz conjunção com júpiter.
- com saturno também.
- isso é bom?
- eu não sei.
deve ser.
- é sim.
bom encontrar você.
- também acho.
(silêncio)"
caio fernando abreu.
12.6.09
estado agudo de felicidade.
"então, que seja doce.
repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. tudo é tão vago como se fosse nada. que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. que sejam doce os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone. que seja doce o seu cheiro. que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. que sejam doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. que seja doce a ausência do meu medo. que seja doce o seu abraço. que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. que seja doce. que sejamos doce."
caio fernando abreu.
-
e uma capacidade de desarmar com um sorriso.
ela estava recheada de flores.
é que no fundo, existem coisas que são só dela.
*feliz dia dos pés com pés.
11.6.09
onde habitam os anjos.
"agora faça um ar de... de absoluta pureza... olhe por cima de todo mundo, para bem longe. você foi tocada por forças mágicas enquanto dormia".
caio fernando abreu.
-
devolveu em tons de azul, todo o vermelho que havia recebido.
é que, tudo o que é suave. toca mais fundo.
"...é hora de fazer tudo o que sempre quis.
e é maravilhoso ver que tudo que sempre quis
é simples, belo, acessível, fácil, do bem."
caio fernando abreu.
10.6.09
"para despertar o vivo de dentro."
"que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. a não ser o belo, que é de ver, não de mastigar."
caio fernando abreu.
"talvez, sim, talvez eu fosse mulher, porque pensava no príncipe, a minha mão direita era a minha mão e a minha mão esquerda era a mão do príncipe, e a minha mão direita e a minha mão esquerda juntas eram as nossas mãos. apertava a mão do príncipe sem cavalo branco, sem castelo, sem espada, sem nada".
caio fernando abreu.
-
dentro dessa divisão. do que se pode controlar.
teve certeza.
aquilo que não podia explicar, era o que se chama de incontrolável.
gostava do que sentia. e o que tinha, nunca era demais.
como era feliz aquela rosa.
9.6.09
"confirmei, quase sorrindo também."
"para manter o eterno verão atrás da janela, eu cantaria até o amanhecer."
caio fernando abreu.
-
aquele tom grave, que só essa voz sabe ter.
balbuciou palavras macias. aveludadas.
"tem sido noites ruins, tenho sentido tanto a sua falta..."
o que a fazia se encher de graça.
apertou o play, e deixou repetir. mais uma vez.
é que, naquele momento, tinha virado a trilha.
fechou os olhos. sorriu. seu sorriso preferido.
entrelaçou. chegaram.
*escutando loucamente
8.6.09
para aconchegar.
-
começou contando o segredo.
e ela envolveu, num abraço que não conseguia terminar.
transpassou aquilo tudo de mais puro. e desejou.
ele sabe. sabe que em seu olhar cabem todas aquelas palavras.
e é por isso. por isso que o abraço nunca tem fim.
do avesso é que se tem dentro. amém!
7.6.09
alguma coisa em.
-
e é assim, quando ela estreita os laços de uma palavra sensível.
agrega valor.
registra o momento, aqueles que merecem eternidade.
caminha entre categorias. e deixa rastros. listras. costura a estrela.
aqui, o instante é.
6.6.09
nascia um jardim nas minhas faces.
"nunca soube a cor exata de seus olhos. quando os via muito de perto, minha única preocupação era observar o movimento dos pontinhos dourados no fundo das pupilas."
caio fernando abreu.
-
desfilava sua alegria, em tons de magenta.
pintava o set.
feito criança esperando o grande evento.
5.6.09
um mundo inteiro feliz.
- você é tão bonita. suave, delicada. a mulher mais feminina que eu conheço.
-
daqui, de onde o vento sopra em lá.
mando um beijo, em sol. pra esquentar...
4.6.09
porque é daí que nascem as canções.
"mas ela não fala. apenas olha. as pupilas cheias de pequenos pontos dourados. pontos de fogo, de ouro, de luz."
caio fernando abreu.
-
aqui, onde o vento sopra em lá.
é ai que gosta de encaixar seus semi-tons.
diz que tem cheiros bem específicos.
assim, uma infinidade de sentidos. dos mais variados.
confessou até que era o que movia. e que as curvas são excitantes.
fez questão de abrir bem os olhos, amendoados.
e teve certeza, era ali que queria morar.
estabeleceu, pois. pequenas imoralidades. em seus sorrisos largos.
3.6.09
as coisas são sempre meio mágicas.
"sem gritaria, ficamos olhando a nuvem-anjo. ninguém mais olhava para ela embora, apesar de discreta, fosse um escândalo."
caio fernando abreu.
-
acordou caminhando sobre nuvens. leve.
com as pálpebras pesadas. mas um pesado tão bom, menino.
é porque ela pensa no que é.
2.6.09
e, um sorriso que derretia satélites.
-
ficava na ponta dos pés.
feito criança esperando doce.
e se lambuzava.
1.6.09
atropelando.
-
guardou cada um em uma bolha. e deixou vazia.
transbordava.
essa coisa de espaço de respiro é fundamental.
o objetivo? talvez a resposta.
o caminho? o que tem mais coração.
um tanto sem nexo. um tanto difuso. um tanto paradoxo. um tanto paradigma.
a anatomia enlouqueceu. e virou tudo coração.
no agora, cabe. no entre, cabe.
sopra, feito brisa. aquece, feito sol. inspira, feito lua. guia, feito estrela.
essas transparências coloridas. bastante antagônicas.
feito coisa feita.
31.5.09
turbilhão.
"como a vida é tecelã imprevisível."
caio fernando abreu.
-
mexe. remexe. sobe. desce.
de ponta cabeça.
do lado. de dentro. de fora.
tonta, deixa.
30.5.09
28.5.09
sobre como funciona:
"tudo vai, tudo volta, eternamente gira a roda do ser. tudo morre, tudo refloresce,
eternamente transcorre o ano do ser. tudo se desfaz, tudo é refeito, eternamente constrói-se a mesma casa do ser. tudo se separa, tudo volta a se encontrar, eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser.
em cada instante começa o ser, em torno de todo o "aqui"
rola a bola "acolá ".
o meio está em toda parte.
curvo é o caminho da eternidade."
nietzsche - assim falava zarastrusta.
-
e o que não falta é mundo pra girar. e, em volta de todos os umbigos.
feito roda-gigante.
27.5.09
das vontades realizadas.
-
foi do jeito que havia planejado. que queria.
teve os sonhos que desejava.
recheados de rendas, cheiros e intimidades.
- fica fácil sonhar quando é real. é como se fosse a continuação da realidade. a vontade de permanecer sentindo...
ela se doava, enquanto era reafirmada. desejada.
e também tinha sonhos. todas as noites.
25.5.09
além do que se vê.
-
uns olhos negros. bem desenhados.
com um contorno rico em detalhes.
- é por isso. por isso que sempre se renova.
ela corava. dando ao conjunto ainda mais beleza.
- quando fecho os olhos, vejo seus olhos negros. contornados de lápis. e, tenho sonhos...
no fundo, tudo isso porque seus olhos são janelas da alma.
despediu-se contando que hoje era dia de sonhar.
22.5.09
pequenas delicadezas.
-
como proteção, sua ostra fica bem fechada.
porque amanhã, ela nasce pérola.
"eu sinto uma beleza quase insuportável e indescritível. como um ar estrelado, como a forma informe, como o não-ser existindo, como a respiração esplêndida de um animal. enquanto eu viver terei de vez em quando a quase-não-sensação do que não se pode nomear. entre oculto e quase revelado."
lispector, a clarice.
21.5.09
retrato-falado.
-
passou os braços em volta.
colou a silhueta.
entrelaçou os dedos, para que não se soltasse mais.
colou o perfil.
mostrou levemente os dentes. e uns traços de expressão.
fixou o olhar. e sorriram.
registrado.
"... num retrato-falado...
... numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê."
retrato pra iaiá - los hermanos.
passou os braços em volta.
colou a silhueta.
entrelaçou os dedos, para que não se soltasse mais.
colou o perfil.
mostrou levemente os dentes. e uns traços de expressão.
fixou o olhar. e sorriram.
registrado.
"... num retrato-falado...
... numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê."
retrato pra iaiá - los hermanos.
20.5.09
cuspindo colorido.
-
porque hoje, tudo o que vinha de dentro dela
tinha uma cor diferente. especial.
e brilhava. brilhava pra quem quisesse ver.
sem ofuscar, claro. daquelas coisas que são bonitas naturalmente.
e, que despertam aquelas sensações tão dignas de se sentir.
encheu o peito com trezentos mil suspiros. e foi feliz.
um beijo, cem beijos.
19.5.09
coisa doida.
"cheiro pingado, respingado, risonho, cheiro de alegriazinha..."
do rosa.
-
daquelas que vão tomando conta. e conta. conta.
canto.
sobre o que preenche o hoje:
-
uma música: jigsaw falling into place
uma cor: vermelho
um sentimento: o que o toque desperta
uma hora: 13:40h
um filme: o leitor
um livro: o mar de monstros
uma palavra: procrastinar
um fragmento: renda
um pensamento: o que encontra
um desejo: banho de cheiro
uma vibração: positiva
um ponto de vista: de fora
um fato: um beijo.
tudo concomitantemente.
18.5.09
um tanto quanto, cronológico.
"espero o melhor segundo para dar pause, e só então ando com cuidado entre eles.
às vezes a pausa é tão bonita que cruzo o tempo para vê-la."
rita apoena.
-
quando a gente aprende o que é bonito, de verdade.
aprende junto, a parar o tempo.
17.5.09
sobre o que faz bem:
-
esticou, o máximo que conseguiu.
abriu bem as pontas dos dedos.
e, de cada um, saiu um filete colorido.
era aquela coisa mágica, que ela expelia de cada poro.
16.5.09
por estar distraída.
"minha mãe fez waffles azuis com ovos azuis para o café da manhã.
isso faz dela uma pessoa engraçada, comemorar ocasiões especiais com comida azul. acho que é o jeito dela de dizer que tudo é possível.
percy pode terminar a sétima série.
waffles podem ser azuis.
pequenos milagres assim."
-
é assim, quando eles dão volta.
e, um a um, vão entrando. e fazem festa no coração.
15.5.09
tato.
-
naquele dia, não havia penteado os cabelos.
escorregavam lisos, para perto da cintura. fazendo volumes com o vento.
depois de alguns minutos, descansou, delicadamente, os óculos sobre os cabelos.
- seus cabelos são os mais bonitos que eu já vi. e cheirosos.
estava de perfil, descabelada. e, sorriu.
14.5.09
13.5.09
4.5.09
30.4.09
29.4.09
28.4.09
vermelho.
-
e no espaço de cada batida desenfreada,
sentia o sangue pulsar nas veias.
quente. muito quente.
corriqueiro.
"quem só acredita no visível
tem um mundo muito pequeno."
caio fernando abreu.
-
porque é normal se sentir atropelado de vez em quando.
26.4.09
25.4.09
sem respiro.
"olha, sabe duma coisa que eu aprendi? o segredo do belo está aqui, oh. na sua cuca, no seu olho que realmente vê, dentro de você. se você souber olhar as coisas dum jeito mágico, tudo fica mais bonito."
caio fernando abreu.
-
aquele descompasso sem ter fim que pulsa loucamente em cada poro em cada entre que faz mover que faz ser e então só assim se faz exterior se faz maior e é.
24.4.09
sobre o agradável:
-
a lua. o frio. os quatro.
a música. o barulho. o ralo.
o sorriso. outro sorriso. abraço.
o porque. a razão. o agora.
outro. vejo. ignora.
o caminho. a parada. do lado.
a noite. o afago. o beijo.
quando tudo é muito cheio de sentido fica difícil de enxergar quando o simples faz parte fica complicado por si só quando o agradável predomina fica mais bonito de olhar.
a lua. o frio. os quatro.
a música. o barulho. o ralo.
o sorriso. outro sorriso. abraço.
o porque. a razão. o agora.
outro. vejo. ignora.
o caminho. a parada. do lado.
a noite. o afago. o beijo.
quando tudo é muito cheio de sentido fica difícil de enxergar quando o simples faz parte fica complicado por si só quando o agradável predomina fica mais bonito de olhar.
23.4.09
sobre telepatias:
"e do outro lado do fio você me diz:
estou pensando tanto em você."
caio fernando abreu.
estou pensando tanto em você."
caio fernando abreu.
sintonia.
"eram bonitos juntos, diziam as moças.
um doce de olhar.
sem terem exatamente consciência disso,
quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e,
por assim dizer, quase cintilavam,
o bonito de dentro de um
estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa.
como se houvesse entre aqueles dois,
uma estranha e secreta harmonia."
caio fernando abreu.
-
harmonia entre os elementos.
22.4.09
sobre o que compõe.
"sei que depois de me leres é difícil reproduzir de ouvido a minha música,
não é possível contá-la sem tê-la decorado. e como decorar uma coisa que não tem história?"
clarice lispector.
-
pura essência.
paradoxo.
"lava devagar o rosto na água do arco-íris. bebe seu chazinho de pétalas de rosa branca – amarela não, que dá azia. escova devagar as asas, pluma por pluma. só depois de bem bonita é que bate de leve na porta da nuvem ao lado."
caio fernando abreu.
-
funciona assim:
delicadezas atrevidas.
sutilezas ousadas.
objetivo entrelinhas.
subjetivo escancarado.
contraposições balanceadas.
simples, por si só.
só escuta quem enxerga com os olhos do coração
e só vê, quem escuta com a alma.
20.4.09
nesta manhã, eu recomeço o mundo.
"por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum."
caio fernando abreu.
-
coisas macias.
19.4.09
elegante.
" porque você não consegue ver além do chão, porque você acha que as coisas só tem um lado, esse que o seu olho sujo vê. você é exatamente igual a esse cinzentos todos que estão lá fora. a gente só consegue ver o que está dentro da gente. e você só consegue ver o sujo, o feio e o doente das coisas. tudo isso está dentro de você, na sua mente, na sua cuca. aqui. a sua cuca é que é feia, suja e doente. nada é horrível, nada é maravilhoso. o seu olho daqui é que transforma tudo. o seu jeito de olhar. o que acontece é que você ainda não aprendeu a olhar."
c.f.a
frames.
-
absorção constante. conhecimento intenso. produção incansável.
charme absoluto. conquista enraizada. sentidos aguçados.
essência única. olhar direcionado. dedos com asas.
pensamentos metaforizados. inspiração alheia. apropriação desmedida.
inversão calculada. sorrisos escancarados. pequenas felicidades certas.
olho. fecha. abre. boca. solta. sentimento. guardei. guardado.
absorção constante. conhecimento intenso. produção incansável.
charme absoluto. conquista enraizada. sentidos aguçados.
essência única. olhar direcionado. dedos com asas.
pensamentos metaforizados. inspiração alheia. apropriação desmedida.
inversão calculada. sorrisos escancarados. pequenas felicidades certas.
olho. fecha. abre. boca. solta. sentimento. guardei. guardado.
18.4.09
despretensioso.
"ando com uma felicidade doida,
consciente do fugaz,
do frágil."
c.f.a
-
horinhas de descuido.
14.4.09
dentro das cores.
" o meu desejo de colorir borra a parede dele
com tinta fresca
asas imaginadas, pés fora do chão,
tudo muito branco de paz por dentro."
-
eu queria morar em uma caixinha de lápis de cor.
cada dia, ia ser de uma cor.
13.4.09
fluidez.
"(...)quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão(...)"
baudelaire.
-
acho o tempo derretendo incrivelmente atraente.
8.4.09
atrás das cores.
-
acordou branca. e um dia azul, com rajadas de preto.
intrinsecamente era vermelho.
e a sua volta, amarelo. escalafobético. e também muito laranja.
falava azul claro. e lia verde. entrelinhas, era muito rosa.
e tinha vontades roxas. e pensamentos beges.
e palavras prateadas e sentidos multicor.
5.4.09
é quando é sincero.
"comigo você falará sua alma toda, mesmo em silêncio. eu falarei um dia minha alma toda, e nós não nos esgotaremos porque a alma é infinita. e além disso temos dois corpos que nos será um prazer alegre, mudo, profundo."
-
muitas conclusões cheias de sufixos.
-
muitas conclusões cheias de sufixos.
4.4.09
31.3.09
enlouquecer.
"(...)ele ergueu os olhos e, diante de meu rosto angustiado, entrefechou-os, analisando-me, compreendendo-me. houve um longo minuto de silêncio. eu esperava e tremia. sabia que esse instante era o primeiro realmente vivo entre nós, o primeiro que nos ligava diretamente. aquele momento me separava de súbito de todo o meu passado e numa singular previsão adivinhei que ele se destacaria como um ponto vermelho sobre todo o decorrer de minha vida.
eu esperava e na expectativa, todos os sentidos aguçados, eu desejaria imobilizar todo o universo, temendo que uma folha se movesse, que alguém nos interrompesse, que minha respiração, um gesto qualquer quebrasse o feitiço do momento, desvanecesse-o e fizesse-o cair novamente na distância e no vácuo das palavras. o sangue latejava-me surdamente nos pulsos, no peito, na testa. as mãos geladas e úmidas, quase insensíveis. minha ansiedade deixava-me numa tensão extrema, como pronta para me atirar num sorvedouro, como pronta para enlouquecer."
c.l.
-
enlouquecer de sentidos, é cheio de sentido.
eu esperava e na expectativa, todos os sentidos aguçados, eu desejaria imobilizar todo o universo, temendo que uma folha se movesse, que alguém nos interrompesse, que minha respiração, um gesto qualquer quebrasse o feitiço do momento, desvanecesse-o e fizesse-o cair novamente na distância e no vácuo das palavras. o sangue latejava-me surdamente nos pulsos, no peito, na testa. as mãos geladas e úmidas, quase insensíveis. minha ansiedade deixava-me numa tensão extrema, como pronta para me atirar num sorvedouro, como pronta para enlouquecer."
c.l.
-
enlouquecer de sentidos, é cheio de sentido.
30.3.09
o luar.
"(...) esse luar mais branco que o rosto de um morto, tão distante e silencioso, esse luar assistiu aos gritos dos primeiros monstros sobre a terra, velou as águas apaziguadas dos dilúvios e das enchentes, iluminou séculos de noites e apagou-se em seculares madrugadas... pense, meu amigo, esse luar será o mesmo espectro tranquilo quando não mais existirem as marcas dos netos dos seus bisnetos. humilhe-se diante dele. você apareceu um instante e ele é sempre."
clarice lispector.
clarice lispector.
25.3.09
mal de muitos.
"cada pessoa é um mundo. cada pessoa tem sua própria chave e a dos outros nada resolve, só se olha para o mundo alheio por distração, por interesse, por qualquer outro sentimento que sobre nada e que nos é vital, o "mal de muitos" é consolo, mas não é solução."
clarice.
clarice.
não entra não.
"este momento era único -
e ela teria durante a vida milhares de momentos únicos."
clarice, a lispector.
-
é lá que eu me encontro.
e ela teria durante a vida milhares de momentos únicos."
clarice, a lispector.
-
é lá que eu me encontro.
22.3.09
fecha os olhos.
não é só sobre o que se está vendo
é sobre o que se está ouvindo quando se está vendo
não é só sobre o que se está ouvindo quando se está vendo
é sobre o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
não é só sobre o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
é sobre o que se pensa quando se está sentindo o que se está ouvindo quando se está vendo
não é o que se pensa quando se está sentindo o que se está ouvindo quando se está vendo
não é o que se está sentindo quando se está ouvindo o que se está vendo
não é o que se está ouvindo o que se está vendo
é só o que se vê
luiz zerbini.
19.3.09
única.
"e suspeitou: por mais que tentasse racionalizá-la ou enquadrá-la, ela sempre ficaria muito além de qualquer tentativa de racionalização ou enquadramento."
c.f.a.
c.f.a.
18.3.09
12.3.09
4.3.09
27.2.09
samba do mar.
todos os dias de manhã acordava com o sol beijando seu rosto.
assim, aquecia os pés entre o mar de grãos de areia e enchia o peito com o azul do céu.
o mundo de água lavava a alma e o sal renovava as energias.
vez ou outra, apitava, como pequenas surpresas, a saudade.
sentia o vento jogar os cabelos para trás. brisa de mar. e através de um tapete de estrelas assistia a lua sorrindo.
hoje, você é minha.
assim, aquecia os pés entre o mar de grãos de areia e enchia o peito com o azul do céu.
o mundo de água lavava a alma e o sal renovava as energias.
vez ou outra, apitava, como pequenas surpresas, a saudade.
sentia o vento jogar os cabelos para trás. brisa de mar. e através de um tapete de estrelas assistia a lua sorrindo.
hoje, você é minha.
18.2.09
sobre o essencial:
-
renovar as energias com muito sal.
"mas ela caminhava para frente,
sempre para a frente,
como se anda na praia,
o vento alisando o rosto,
levando para trás os cabelos."
clarice lispector.
renovar as energias com muito sal.
"mas ela caminhava para frente,
sempre para a frente,
como se anda na praia,
o vento alisando o rosto,
levando para trás os cabelos."
clarice lispector.
8.2.09
(im)plícito.
mão. cabelo. arrepio.
boca. arrepio. pescoço.
perna. mão. arrepio.
arrepio. toda. arrepios.
boca. arrepio. pescoço.
perna. mão. arrepio.
arrepio. toda. arrepios.
4.2.09
inacreditável.
"mas que funda alegria ser mãe.
mãe é doida.
é tão doida que dela
nasceram filhos."
clarice lispector.
mãe é doida.
é tão doida que dela
nasceram filhos."
clarice lispector.
2.2.09
pra bom entendedor...
da coxia, o espetáculo é sempre
mais engraçado,
mais significativo,
mais dramático,
e pra mim,
mais bonito.
mais engraçado,
mais significativo,
mais dramático,
e pra mim,
mais bonito.
31.1.09
pra mim.
"certa vez, sentado em um promontório,
ouvi uma sereia montada no dorso de um golfinho
pronunciar sussurros tão doces e harmoniosos
que o rude mar tornou-se dócil à sua canção,
e algumas estrelas despencaram loucamente de suas esferas
para ouvir a música da moça do mar."
(willian shakespeare - sonho de uma noite de verão, ato II.)
ouvi uma sereia montada no dorso de um golfinho
pronunciar sussurros tão doces e harmoniosos
que o rude mar tornou-se dócil à sua canção,
e algumas estrelas despencaram loucamente de suas esferas
para ouvir a música da moça do mar."
(willian shakespeare - sonho de uma noite de verão, ato II.)
16.12.08
calou.
eu amo tudo o que foi,
tudo o que já não é,
a dor que já me não dói,
a antiga e errônea fé,
o ontem que dor deixou,
o que deixou alegria
só porque foi, e voou
e hoje é já outro dia.
fernando pessoa.
tudo o que já não é,
a dor que já me não dói,
a antiga e errônea fé,
o ontem que dor deixou,
o que deixou alegria
só porque foi, e voou
e hoje é já outro dia.
fernando pessoa.
11.12.08
sobre o que acontece.
"há uma primavera em cada vida:
é preciso cantá-la assim florida,
pois se deus nos deu voz, foi para cantar!
e se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder, para me encontrar."
florbela espanca.
é preciso cantá-la assim florida,
pois se deus nos deu voz, foi para cantar!
e se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder, para me encontrar."
florbela espanca.
3.12.08
me and cinderella.
-
"hey, come on try a little
nothing is forever
there's got to be something better than
in the middle."
28.11.08
eu tô falando é de sonho.
-
"há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; e um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
alberto caeiro.
"há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; e um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
alberto caeiro.
25.11.08
19.11.08
hoje, contei pras paredes.
-
"tinha suspirado. tinha beijado o papel devotamente. era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas. como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. sentia um acréscimo de estima por si mesma. parecia-lhe que entrava, enfim, uma existência superiormente interessante. onde cada hora tinha o seu encanto diferente. cada passo conduzia a um êxtase. e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."
"tinha suspirado. tinha beijado o papel devotamente. era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas. como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. sentia um acréscimo de estima por si mesma. parecia-lhe que entrava, enfim, uma existência superiormente interessante. onde cada hora tinha o seu encanto diferente. cada passo conduzia a um êxtase. e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."
13.11.08
pensando demais.
"... remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tensões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto. sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
12.11.08
um sopro de vida.
" (...) mas, mesmo assim, me surpreendo como é que hoje já é maio, se ontem era fevereiro? cada minuto que vem é um milagre que não se repete."
clarice lispector.
clarice lispector.
11.11.08
7.11.08
sobre o tempo.
...e ando ainda atrás
desse tempo ter
pude não correr
dele me encontrar...
rodrigo amarante.
desse tempo ter
pude não correr
dele me encontrar...
rodrigo amarante.
29.10.08
fato.
"porque você não pode voltar atrás no que vê. você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
16.10.08
sequência.
"não sei como me defender dessa ternura que cresce escondido e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo."
.
caio fernando abreu.
.
caio fernando abreu.
14.10.08
das lições da vida.
"porque esse talvez seja o único remédio quando ameaça doer demais: invente uma boa abobrinha e ria, feito louco feito idiota, ria até que o que parece trágico perca o sentido e fique tão ridículo que só sobra mesmo a vontade de dar uma boa gargalhada."
caio fernando abreu.
caio fernando abreu.
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