11.9.09

o resto é engano.

-
abria os braços e ficava na ponta dos pés.
tinha dias que tirava para contar quantas histórias cabiam em uma ideia.

foi assim que aprendeu a guardar o tempo.




"parado ali no chão, eu sentia que dentro de mim alguma coisa estava nascendo. ou pressagiava o que viria também de fora e seria completo, pois são completas as coisas quando acontecem depois de anunciadas por dentro, criando um estado capaz de receber o que virá de fora."

caio fernando abreu.



*o que toca: kings of leon - black thumbnail.

10.9.09

mas tudo é muito longo, eu sei.

-
gostava de regar relâmpagos. de tão intempestivos.
achava curioso acompanhar o acalmar.
mas bonito mesmo, era quando repousava os ouvidos bem perto de cada detalhe peculiar que compunha aquela música.



"que deixe material para o baú da memória, penso sempre assim."

caio fernando abreu.



*o que toca: pearl jam - themor christ.
*recomendo: up - altas aventuras

8.9.09

eu queria só exceções.


-
ainda não haviam inventado nada mais bonito que sorrisos.
e nem cor mais vibrante que o vermelho. nem nada melhor para os ouvidos que música. ou coisa melhor para o pescoço e para o corpo que banho de cheiro. para as mãos, ainda não fizeram nada melhor que entrelaçar. e para o nariz, nada melhor que beijos. em demasia, cabe a boca descobrir aos dedos sentir e aos olhos contar.


"essencial eram as coisas que coloriram a minha vida."

caio fernando abreu.




*o que toca: the cure - friday i’m in love.

uma paz enorme que eu chamo de felicidade.

"neste botânico setembro, que pelo menos você plante com eufórica emoção ecológica num pote de plástico uma flor de retórica."

carlos drummond de andrade.




-
desbaratinava.
gostava de despentear os cabelos,
porque era nessa dança que redescobria requintadas harmonias.
inaugurava seus paraísos secretos e convidava somente o que de dentro amanhecia.






*o que toca: radiohead - go to sleep.

7.9.09

de puro gosto, fica ainda mais azul.

"brotava um cheiro de tempo, muito doce, parecia poeira, mas poeira perfumada, e doce, doce, extremamente doce, tão doce que provocava vertigens..."

caio fernando abreu.



-
dormiu arrepios. amanheceu urgências.
mas depois que choveu sorrisos,
colheu bem-me-quer.









*o que toca: john frusciante - three toughts.

6.9.09

coisas que depois disponho pelos cantos.

"o resto é detalhe."

caio fernando abreu.


-
achava bonito sair por ai, colorindo vida.
carregava as palavras de essência e
depois, guardava margaridas no bolso:
era só fazer dançar as pontas dos dedos.





*o que toca: marisa monte - diariamente.

4.9.09

para todas as direções.

"tem que estar atento todo dia. descubro truques: gerânios e hortelã, que afastam as pragas."

caio fernando abreu.


-
quando tece tempo, prega estrela pássaro tempero.
lua flor sabor. mar voar cheiros. num segundo cabe o quanto que.


cabe o tempo inteiro.




*o que toca: radiohead - thinking about.

3.9.09

bons presságios: eu penso, eu acredito.

"não me deixe viver o que posso, que me seja permitido desaprender os limites."

fabrício carpinejar.


-
vivia somando.
achava bonita essa técnica.
somava beijos abraços sorrisos lágrimas desejos sonhos inspirações suspiros vontades fazeres cores curiosidades lugares novidades corações nuvens sabores mãos dedos cheiros flores encantos quereres desacabelos arrepios brisas aconchegos segredos mágicas lantejoulas purpurinas brilhos estrelas caminhos escolhas prazeres pérolas amores.

somava vida. acrescentava detalhes.


*o que toca: alanis morissette - so pure.

2.9.09

continua sempre muito forte.

"é como se eu visse o céu, planetas, cometas, constelações, objetos não identificados (...) basta estender a mão."

caio fernando abreu.


-
era quando sentia o vento fresco balançar os cílios. e um sopro ouriçar os pêlos. passeava pelos cinco sentidos e fazia desejos:
para a cabeça: brisa. para o nariz: beijo na ponta. para os ouvidos: música. para os olhos: estrelas. para a boca: prazeres. para os cabelos: descabelo. para o pescoço: cheiros. para o peito: aconchego. para as mãos: entrelaços. para a barriga: borboletas. para o quadril: ginga. para os joelhos: força. para os pés: nuvens.

depois era só fechar os olhos.


*o que toca: queens of the stone age - do it again.

1.9.09

e, um sorriso de mil anos.

"como bailarina de circo, uma das pernas equilibrada no fio do arame, a outra alongada no ar, as mãos inesperadamente donas do poder de iluminar as coisas, as pessoas."

caio fernando abreu.


-
trocava máscaras por pérolas
negativismo por sonhos
pezares por sorrisos
mentiras por cores
má vontade por danças
ofensas por inspirações


achava bonito ver o avesso da vida.


*o que toca: los hermanos - a flor.

31.8.09

sorriu ainda mais quando,

"meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. a brisa sopra..."

caio fernando abreu.


-
aprendeu que arrancar ervas daninhas era preciso. gostava de enterrar as que encontrava. jogava bastante terra. e continuava a andar. ia cavando buracos e plantava plantava plantava. regava e deixava ao sol. via crescer, e como crescia. enchia o peito de suspiros enquanto observava delicadamente as flores mais bonitas.




mas, bem mesmo fazia quando colhia o desabrochar.




*o que toca: radiohead - nice dream.

30.8.09

essa simples e tranquila alegria.

"coisas claras, panos brancos, incensos e flores."

caio fernando abreu.



-
em dias assim gostava de colecionar segundos diferentes.
porque depois, fazia mosáico do tempo.








*o que toca: radiohead - 2+2=5

29.8.09

bonito de se ver.

"pacientemente sentei e esperei que a chuva cessasse (...). o calor veio aos poucos e o céu foi limpando com o tempo (...). o meu céu ficou azul, então... e aqui já não chove mais."


-
porque é preciso esvaziar invernos e encher-se de sol.
é preciso fazer-se flor.










*o que toca: the gossip - standing in the way of control.

28.8.09

para sorrir de lado.

"tenho a impressão que alguma coisa muda e muda forte. não sei bem o quê."

caio fernando abreu.




-
esse jeito de ver além dos olhos, de ouvir além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio, tão clara.
porque a estrada vai muito além de.








*o que toca: feist - mushaboom.

27.8.09

e ir aonde o vento for.

-
essa coisa de pegar carona nas horas, definitivamente, não era com ela.
ela era muito agora.
e o agora dela, era do tamanho do mundo.









"certas coisas são tão evidentes, apesar de inexplicáveis, que a gente não pode deixar de acreditar."

caio fernando abreu.



*o que toca: gotan project - la viguela.

26.8.09

na pele, um segredo.

-
tem dia que as flores brotam de dentro.
é preciso encher-se de primaveras.










"enquanto dentro de ti ela se faz quase tangível de tão clara."

caio fernando abreu.




*o que toca: george michael - faith.

25.8.09

e não há lógica que faça desandar.

-
gostava de coisas pessoas situações que não limitavam.
achava bonito barco na correnteza aviãozinho de papel bolha de sabão.
ficava curiosa com a liberdade. e, completamente apaixonada com o verde de mãos dadas com o azul: a esperança, abraçando o infinito.



"mas tenho uma curiosidade imensa pelo que vai me acontecer,
pelas pessoas que vou conhecer, por tudo que vou dizer e fazer
e ainda não sei o que será."

caio fernando abreu.



*o que toca: jose gonzalez - heartbeats.

24.8.09

"o gosto é bom, eu te dizia. e não impede a asa..."

-
mas o plano que tinha era no tom.
abraçava a felicidade num aconchego sem fim.
porque pra ser feliz, era preciso muito pouco: era só estender as mãos.








"e sorriram, os olhos sorriram, por sobre a boca imóvel."

caio fernando abreu.




*o que toca: little joy - brand new start.

22.8.09

mas, absolutamente incrível.

-
quando era assim,
ficava com os olhos marejados.
mas não era salgado, feito lágrimas de mar.
era doce. tinha um gosto doce. feito rio. era calmo.
e ela ria grande. porque era ai, era ai que brotavam os espaços azuis.






"com a flanela elimino a poeira da luneta (...) para que não se embacem os astros, os destinos."

caio fernando abreu.




*o que toca: her morning elegance - oren lavie.

21.8.09

simples prazeres.

"sempre posso parar, olhar além da janela."

caio fernando abreu.











-
ela ficava ali no centro.
cercada de mãos, beijos, dedos e abraços.
dentro de tudo que cabia nela.
nem precisava abrir os olhos pra ver rodar.
e rodar, rodar, rodar.
feito uma ciranda. cheia de bem-me-quer.




*o que toca: two steps - dave mathews band.

20.8.09

"sê todo em cada coisa. " (f.p)

"continuo achando graça nas coisas, gostando cada vez mais das pessoas, curiosa sobre tudo, imune ao vinagre, às amarguras, aos rancores."

zélia gattae.









-
era lindo quando pescava certezas no olhar. sim sim.
e o que vinha depois: sorrisos que derreteriam até mesmo satélites.




*o que toca: dull life factory superstar - yeah yeah yes.

"aquela loucura de flores e cores do lado de fora era a vitória dela." (c.f.a)

"alice, alice, minha filha, quando é que você vai se convencer que não está mais do outro lado do espelho? (...) teve certeza. ou claras suspeitas. que talvez não houvesse lesões, no sentido de perder, mas acúmulos no sentido de somar? sim sim. transmutações e não perdas irreparáveis, alices-davis que o tempo levara, mas substituições oportunas, como se fossem mágicas, tão a seu tempo viriam, alices-davis que um tempo novo traria? não era uma sensação química. (...) estava exatamente como era, sem aditivos. vou-me embora, pensou: a estrada é longa."

caio fernando abreu.



-
fechou a janela e deixou a meia luz.
gostava de ficar ali, de olhos bem fechados.
escutando o som do ar, o tom da voz.
pequenos momentos atemporais.



*o que toca: do sétimo andar - los hermanos.

19.8.09

parece não comportar a sensibilidade.

-
em dias assim, gostava de apertar o pause. e gravar cada fração de cena. ficava toda boba quando conseguia guardar olhares e provocar sorrisos. passeava pelo tempo ali de dentro, sem se preocupar com a pressa de lá de fora. fazia disso tudo uma dança. uma dança, na qual o compasso era de batidas: tum tum, tum tum, tum tum.


"e uma corrente tão forte de amor e energia que amor e energia brotaram dentro de mim até tornaram-se uma coisa só. o de dentro e o de fora unidos em pura fé."

caio fernando abreu.




*o que toca: mapa do meu nada - cássia eller.

18.8.09

quem acredita sabe encontrar.

"... e agora começa a sorrir com uns-dentes-claros-muito-bons."

caio fernando abreu.







-
pra ela, abraços eram feito palavras ocultas.
em cada um deles descobria uma passagem secreta.
depois gostava de ficar ali, decifrando segredos.



*o que toca: snow - red hot chili peppers.

17.8.09

trajetos por teus fios.

"acordei sem a menor dificuldade, espiei a rua em silêncio, muito limpa, as azaléias vermelhas e brancas todas floridas. parecia que alguém tinha recém pintado o céu, de tão azul. respirei fundo. o ar puro da cidade lavava meus pulmões por dentro. setembro estava chegando enfim."

caio fernando abreu.


-
depois que descobriu que cada dia tinha um sabor,
se deliciava vivendo.





"então eu agradeço, eu tenho medo e espanto e terror e ao mesmo tempo maravilhamento e outras coisas com e sem nome, mas agradeço. aos deuses dos jardins, aos deuses dos homens, aos deuses do tempo e até aos das ervas daninhas que nos fazem lutar feito tigres feridos fundo no peito, sim, eu agradeço."

caio fernando abreu.




*o que toca: tangle up in plaid - queens of the stone age.

15.8.09

"- não está me reconhecendo? sou sempre eu."

"nunca tinha sido tão intenso, nem tão bonito. nunca tinha tido um jeito assim, tão forever."

caio fernando abreu.


-
hoje, abriu sua caixinha de segredos.
encontrou mãos que voam, sorrisos diversificados e
olhos que falam.

em demasia, o resto não sabia contar.




"pólen solto no ar."

caio fernando abreu.




*trilha: gatas extraordinárias - cássia eller.

14.8.09

tempo infinito num só, esse é o eterno.

-
quando acordava com os olhos cheios de estrelas,
gostava de deixar o vento a levar.
porque ela era leve. muito leve.









"deixa o vento soprar, let it be..."

caio fernando abreu.


*trilha: reckoner - radiohead.

13.8.09

num impulso aproximou ainda mais seu próprio rosto.

"...tão bonito, o outro rosto sob seus olhos."

caio fernando abreu.









-
pra ela, a melhor hora do dia
era quando ia procurar cenas em poças d'água.




*trilha: weird fishes - radiohead.

12.8.09

"se percebia pelo sutil entreabrir das pálpebras."

"viver é bom demais, dear deep. e veloz, meio gincana, às vezes. pegue tudo a que você tem direito, e nós temos direito a absolutamente tudo de bom."

caio fernando abreu.

-
era em momentos assim,
quando fazia releituras de olhares:
descobria espaços secretos.









"dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver."

caio fernando abreu.

11.8.09

faz parte do ciclo.

"tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. de sol quando acorda. de flor quando ri. ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. lambuzando o queixo de sorvete. melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. o tempo é outro. e a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver. tem gente que tem cheiro de colo de deus. de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do papai noel. tem gente que tem cheiro das estrelas que deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na terra. ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. recebendo um buquê de carinhos. abraçando um filhote de urso panda. tocando com os olhos os olhos da paz. ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração. tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. do brinquedo que a gente não largava. do acalanto que o silêncio canta. de passeio no jardim. ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. corre em outras veias. pulsa em outro lugar. ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos deus está conosco, juntinho ao nosso lado. e a gente ri grande, que nem menino arteiro."

carlos drummond de andrade.


-
mas via algo único, ali.
todas as possibilidades do novo, acontecendo.
felicidades amanhecendo.

10.8.09

onde o que a gente é apareça.

"tudo é só estrada que corre e corre, e todas as estradas vão para o mesmo lugar. que as paisagens em volta desta estrada sejam belas, então. and that's enough."

caio fernando abreu.





-
e com os dois pés, bem cravados no chão.
ela caminhava sobre a linha, feito relógio.
sem perder o compasso.



"quero porque quero cultivar roseiras."

caio fernando abreu.

9.8.09

pai, tudo de bom.


-
desde pequena, sempre tive certeza.
todo pai é o que a gente quiser.
super-herói, mágico. um exemplo.
saber fazer do todo dia um algo diferente é lindo.
uma proteção que só cabe ai. um amor fundamental. infinito.



"eu disse que achava bonito e difícil ser um tecelão de inventos cotidianos."

caio fernando abreu.

7.8.09

de todos os lados, os de fora, os de dentro, de baixo e de cima.

-
quando era dia de pescaria, ficava toda alvoroçada.
fisgava estrelas, sorrisos e segredos.
depois, ficava ali. matando sua sede de vida.









"a vida grita."

caio fernando abreu.

6.8.09

esse era o segredo, nada mais.

-
foi pegando, uma a uma. guardou dentro da cápsula.
sacudiu, sacudiu, sacudiu.
abriu e, derramou só coração.








"dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias,
confusas, somá-las, diminuí-las
e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."

caio fernando abreu.

5.8.09

porque tudo é vivo vibra brilha.

"sentia algo que não podia definir, como uma vontade louca de correr, de olhar o céu, o sol, as flores."

caio fernando abreu.







-
é que as surpresas plantadas no caminho que ela escolheu,
a faziam querer correr correr correr.
para olhar tudo, para sentir tudo, para ganhar tudo.
e era por isso que ela gostava daqueles (a)braços. os apertados.
porque era ali. era ali que ela encontrava tudo o que tinha de mais bonito na trilha.
e pedalava, corria, seguia. sem olhar para trás.


"aí de repente despencou uma baita estrela cadente,
quase do tamanho da lua, tão grande que cheguei a parar
pra ouvir o tchuááááááááááááááá da estrela caindo dentro do mar...
daí lembrei que podia fazer um pedido, ou três, não sei bem, a gente podia.

então peguei e fiz."

caio fernando abreu.

3.8.09

porque ultrapassa toda dança.

"me deu assim um disparo no coração, feito susto que não era bem susto, porque não tinha medo de nada. ou tinha: medo de uma coisa sem cara nem nome, porque não vinha de fora, mas de dentro de mim."

caio fernando abreu.




-
descobriu que a escada que existe dentro dela é encantada.
escolheu quando e como ia ser.
e foi. continuava subindo sem medo de perder o compasso, ou errar o passo.
era dela. e só.




"e — de repente — senti. estava tudo muito bonito,
e muitas vezes eu choro quando tudo está assim, bonito."

caio fernando abreu.

2.8.09

"e eu danço de olhos fechados, sem medo de perder o ritmo ou errar o passo."

"entenda, a vida tem me embalado de um jeito tão único
que só encontrei meus passos com total entrega.
quando desando, sei bem o que quero...
mas não sei se posso.
não quero licença para ser feliz.
não mais."

cecília braga.


-
de tanto ganhar segredos, ela aprendeu uma lição:
o que é bonito mesmo, de doer, vem de dentro.
porque por fora, tudo muda de cor.
é lindo, muito lindo. tão lindo de se ver.

31.7.09

era muito colorido, muito belo.

-
foram palavras macias.
era fácil perceber o que acontecia ali, era simples e muito bonito.
vinha de dentro. e tomava conta de fora.






"há algo de muito belo nisso."

caio fernando abreu.

radiohead.



"i saw a light coming home"

30.7.09

essa frugalidade das emoções.

-
segurou a linha com a ponta dos dedos.
e apertou o nó.
deu três sopros sorridentes, delicadamente.
e colocou dentro do bolso.

queria guardar, tudo o que cabia naquela linha.
tudo, tudo, tudo.





"eu fiquei olhando aquelas estrelinhas no céu do quarto,
sem entender nada."

caio fernando abreu.

29.7.09

só aquela ternura distraída.

-
mas, era feita de botões.
no desabrochar de cada um deles,
descobria pequenas particularidades de si mesma.
sorria, então.








"hoje fui ao cartomante poderoso.
ele garante: sim.
é risonho o meu futuro."

caio fernando abreu.

28.7.09

essa pequena epifania.

-
qual o sentido da vida?
a vida, vai pela esquerda.
um caminho deliciosamente sem volta.






"é tão bonito quando a gente vai à vida
nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração."

gonzaguinha.

27.7.09

pequenos momentos eternos.

-
eram insólitas, com lados de luz.
tinham um jeito manso de chegar, como se pisassem em nuvens.
mas dava pra sentir tanta tanta tanta energia.
e ela ficava assim: infinitamente lambuzada de emoções diversificadas.




"portas e janelas todos os dias escancaradas, porque era para sempre verão..."

caio fernando abreu.

24.7.09

tudo corre melhor, mais solto.

-
mas ela gosta de colecionar segredos.
coisas grandes, que ela guarda dentro de uma caixinha.
é doce, doce, extremamente doce, tão doce.
e ela fica ali, mastigando alegrias.





"assim, sem pedir, sem esperar."

caio fernando abreu.

23.7.09

o mundo é maior daqui.

-
e é pura matemática.
somar sorrisos e dividir olhares.










"é assim que me sinto: amanhecendo."

caio fernando abreu.

22.7.09

bonito de se ver.


-
esse era o seu jeito, de guardar o tempo.
ficava parado e tudo ao seu redor girava girava girava.
era pra levar dentro, tudo o que fazia parte demais.




"alguns dizem que há castelos pelo caminho."

caio fernando abreu.

21.7.09

um mundo inteiro de ís.


inexplicável incomparável inquientante intenso implícito inigualável incrível imenso intrínseco instigante interessante iluminado inebriante incalculável impressionante insubstituível importante inteligente incontestável impróprio interligado inesgotável incessante indivisível íntimo reticências

20.7.09

era apenas perfeito.

-
desamarrou o laço e tirou a tampa.
ficou na ponta dos pés pra olhar lá dentro.
e foi muito muito muito bonito. ela tinha ganhado um segredo.










"foi um dia tão bonito ontem,
mas repito,
foi um dia tão bonito ontem."

caio fernando abreu.

18.7.09

enfeitiçando estrelas.

"calmarias em dias tropicais: inverno e pôr-do-sol ao amanhecer."

caio fernando abreu.










-
agora é assim.
todas as noites são ansiosamente esperadas.
porque depois, ela amanhece por dentro.

17.7.09

tesouros escondidos pelos cantos.


-
acordou.
o coração batia acelerado.
porque hoje, ela levantou de braços abertos.
para abraçar o mundo.
pequenas extravagâncias. grandes magias.

16.7.09

suspiro, então.

"gosto de plátanos, gosto de folhas. gosto de tudo o que ameaça morrer e de repente se levanta, mais vivo ainda, surpreendendo a todos."

caio fernando abreu.








-
mas é que no céu dela, as nuvens eram de algodão doce.
e ela se lambuzava.
gosto tanto desse jeito de ver as coisas.

mas é azul à minha volta.

-
e foi tudo feito música.
daquelas feitas para o ouvido.
bonita de sentir. sutil de se ver. de dar calafrios de sentir.
um caminho de bemol, sustenidos e oitavadas.
coisas que acontececiam no compasso da delicadeza.
assim, sem pressa alguma. iam flutuando.
tão completo. tão.



"é agora que quero dividir maças, achar o fim do arco-íris, pisar sobre estrelas e acordar serena."

caio fernando abreu.

15.7.09

a n i v e r s á r i o.

-
final de uma primavera. começo de outra.
exponho meu mundo, sem pudor. colorido.
todos os abraços e beijos, diversificados.
e uma atenção no brilho de cada olhar.
afinal de contas, hoje o dia nasceu pra mim.







"...aí recebi tanto carinho que fui ficando até hoje."

caio fernando abreu.

14.7.09

o tempo é só uma questão de cor, não é?

"por que não se render ao avanço natural das coisas, sem procurar definições? como uma primavera, em mim."

caio fernando abreu.









-
já aprendi com as primaveras, a me deixar levar.
fecho os olhos, abro os braços e flui. barquinho na correnteza.

em nossos abraços, em seus sorrisos largos.

-
mas ela sabia todas essas interessâncias.
era só fechar os olhos.
todas as noites, subia as escadas. e ia para o céu.
e via o que era mais bonito acontecer: todas as esperanças amanhecendo.
coisas que, só ela sabia.
coisas que a faziam mais bonita.



"...ela sorriu, então um dos cantos da boca ergueu-se fazendo subir também uma das sobrancelhas, enquanto o olho quase fechava, embora brilhasse mais intenso assim, por entre as pálpebras meio inchadas, quase invisível. tinha um pouco de criança quando sorria desse jeito. e de demônio. demônio astuto..."

caio fernando abreu.

13.7.09

nuvens, espaços azuis, pérolas no fundo do mar.


-
fechou os olhos, fazia tanto bem.
era algo como, um novelo de paz desenrolando por dentro.
de um lado, ele. de braços abertos.
protegendo aquela coisa toda linda.
havia ali, uma estranha e secreta harmonia.
e em cada espuma daquele balanço, se fazia nova.
uma alegria feita de g r ã o s.
daí, percebeu.
que, cada suspiro, servia pra aumentar ainda mais a força daquela primavera.

6.7.09

é quando fala o íntimo.


"acontecem coisas estranhas quando estou num espaço muito amplo. uma vontade de voar, parece que bastaria abrir os braços para fundir-me com o céu. ao mesmo tempo, dá vontade também de ficar na terra, e viver, viver muito, com todas as miudezas do cotidiano. impressão de ser maior que tudo, sensação de força, certeza de vitória, vitória tão certa e fácil como as coisas da natureza que se mostram ali. e também uma grande humildade, consciência de ser ínfimo em relação ao azul-azul do céu, ao azul-em-cor do rio. procuro palavra para definir o que sinto e não encontro. talvez elas nem sequer existam, talvez seja apenas um fluxo mais forte de vida abrindo os sentidos, embrutecendo o raciocínio".


caio fernando abreu.


-
era tão transparente, que pudia se ver a delicadeza através da moldura.

hora da estrela.

-
naquela noite, todas as suas palavras resolveram andar de mãos dadas.
e era por isso que ele achava que os olhos dela clareavam.
é que ao redor, só se pudia ver o brilho.







"sorriu. os dentes muito claros. punhalada de luz."

caio fernando abreu.

4.7.09

cheio de pontos dourados nas pupilas.



-
ela também gostava muito.
se entregava a sorte assim, de olhos fechados.

3.7.09

tão simples, tão clássico.


"o belo fica ainda mais belo, quando também é forte? pois é."

caio fernando abreu.


-
ela gostava de ver a vida a pé.
ainda mais quando ia de mãos dadas.

aquela carga embrutecendo.


-
mas era um processo interessante. pertubador.
avançava tão rápido, que já tinha culminado no ápice.
de uma maneira tão seca, que havia atingido o nível das imagens.
as cores haviam se perdido. aquele lugar era sombrio, nublado.
e o que restava, aparentemente, era uma espécie de loucura.
uma coisa qualquer que definhava.
e que ninguém poderia jamais imaginar aonde iria terminar.

e a menina que observava a tudo, através da greta, cada vez mais se assustava.

queria dançar sobre os canteiros.


"gold lions gonna tell me where the light is,"

-
e ilustra tão bem. tão.
God!

2.7.09

te mando retalhos de felicidade.

"o céu está cada vez mais claro. alguns pássaros começam a cantar. tenho vontade de cantar também. um canto feito de palavras, não como o antigo. 'daqui a pouco vai amanhecer. há um vago cheiro de mar solto nas ruas...'"

caio fernando abreu.


-
e tá tudo tão completo, que preenche o ser.
os tons variam entre a delicadeza e a sutileza.
as formas, entre o imponente e o encantador.
instigante, beibe.
e a menina, aumentava cada vez mais a sua paleta de cores.




"então uma canção brotou do fim de mim, e eu cantei..."

caio fernando abreu.

30.6.09

um, descanso na loucura.


-
o útil, intensifica.
me entrego e, flui.

29.6.09

mas, qualquer outra coisa assim.


-
as vezes, meus dias vão de par em par.
mesmo que eu seja ímpar.

como um ritual.


"e a alegria crescia, expandindo-se em muitas direções, tomando conta das mãos, dos olhos, já transcendia o pensamento para se apossar do corpo inteiro."

caio fernando abreu.



-
era quando acordava com o sol aquecendo os pensamentos.
a expansão, tornava-se cada vez mais evidente.
e era tão quente. tão bom, menino.

28.6.09

quero um instante assim, barroco.

"hoje ouvi várias vezes: você está com uma cara tão boa."

caio fernando abreu.










-
daqueles, roubados. bem de canto.
diversificados.
e ela, caminhava colorido.

27.6.09

a gente se entrega nas menores coisas.


-
parece simples,
mas eu acho tão bonito.
ver a vida como faz o mar,
num grão de areia.







"caminhavam assim, lembrando juntos letras de bossa-nova. ela imitava Nara Leão: se-alguém-perguntar-por-mim. ele, Dick Farney: pelas-manhãs-tu-és-a-vida-a-cantar. nada sabiam de punks, darks, neons, cults, noirs. eram tão antigos caminhando de mãos dadas naquela areia luminosa, macia de pisar quando os pés afundam nela lentamente. tão bom encontrar você, um cantinho, um violão."

caio fernando abreu.

26.6.09

o infinito é nunca. ou sempre.

"tudo explodia num plano muito mais alto, muito mais intenso. nos desvendávamos com a fúria dos que antecipadamente sabem que não vão conseguir jamais."

caio fernando abreu.





-
esses códigos cobertos de flores.
carregados de cheiros.
transbordando de cores. expelindo sabores.
toma, guarda.
você sabe, ele disse. que a melhor sensação é só sua.
amarrou com um laço na ponta.
toma, leve um sorriso meu. um brilho disparou de seu olhar.
olha, tá chovendo lantejoulas.

25.6.09

é um vento mágico, dizem.

"ela explicava, sorrindo — um sorriso diferente dos que costumava sorrir:
— não, gurizinho. quando a gente gosta mesmo duma pessoa, a gente faz essas coisas.
— calou um momento, depois acrescentou:
— faz até pior.
— pior, como? lamber o prato que a pessoa come?".

caio fernando abreu.


-
é que há nuvens.
e quando as nuvens se amontoam,
chove estrelas e lua.

24.6.09

sem forma, sem termo.

" o que quero dizer é que não houve mesmo nada especialmente prévio. nenhum aviso, nenhuma suspeita. "aconteceu sem um sino pra tocar"..."

caio fernando abreu
.



-
e é quando um pouco do brilho vai embora.
aquela coisa bonita,
que só existe dentro das criaturas mais puras: as crianças.
essas coisas deveriam ser proíbidas de acontecer com elas.
um pouco mais dos anjos. de guarda.
o que deveria ser, não cabe.
não se expressa.

23.6.09

uns cheiros, uns charmes. essas coisas.


"e o essencial eram as coisas que coloriram a minha vida."

caio fernando abreu.









-
daquelas noites, sabe?
em que você é super-herói, gueixa e a princesa do castelo.
daqueles amores fundamentais.
daqueles sabores essenciais.
sentimentos diversificados.

22.6.09

tempestade de estrelas coloridas.


-
aquele cheiro, bom.
de borboletas no estômago.
fechou os olhos e saltou.
sem medo.

20.6.09

eram inteiros leveza.


-
é quando a noite é de lua que ri.
de delicadezas que envolvem.
no encontro de olhos,
soerguem flores.

19.6.09

cheia de luz.


-
e o mais bonito foi quando ela descobriu.
que pudia ouvir e entender estrelas.
só quem ama pode.

18.6.09

aquele astral, bonito.


-
e foi assim. desde a hora que abriu os olhos.
teve certeza: hoje, seria um dia mágico.

17.6.09

coisas grandes, pequenas. algumas.


-
esse era seu maior prazer. redescobrir magias.
pequenas felicidades certas.

16.6.09

cadência.

"quando ela demorava a acordar e ele insistia cantando cantigas inventadas num ritmo de caixinha de música: venha ver o sol, oh meu amor! vista sua saia, vamos para a praia! o dia está tão lindo oh meu amor! hoje é domingo lindo de sol."

caio fernando abreu.




-
feito música para os ouvidos.
e ela cantava. contava. encantava. recontava. e, cantava.

essa coisa gentil.


-
gostava de saltar. dois a dois.
era assim que fazia quando o coração virava relógio.

15.6.09

é que eu me sinto como.


"vai um cheirinho de alecrim e muito carinho."

caio fernando abreu.









-
cheiro. bom. sempre. cheiro. é. cheirosa. vírgula.
banho. cheiro. ponto. de arrepiar. vírgula. cheiro.
cheiro de. cheiro. ponto. louco. cheiro. vírgula. só de cheiro?
cheiro. ponto final. cheiros sem fim.

14.6.09

mas o que tinha, era seu.


"azul, azul, inteiramente azul, azul carinho, quase transparente, azul de água clara com pedrinhas no fundo..."

caio fernando abreu.




-
andava com aquela rima grudada na boca.
e, de olhos virados.
as mãos levemente envolvidas.
nós, que não atam nem desatam.

13.6.09

do tamanho do mundo.

-
aqueles dois...
eram como pépé e stella.
cada um tinha a sua estrela. escolhida a dedo.

um presente.
era só pra ter a certeza.
de que quando olhassem pra cima, estariam olhando dentro dos olhos um do outro.



"- você gosta de estrelas?
- gosto.
você também?
- também.
você está olhando a lua?
- quase cheia.
em virgem.
- amanhã faz conjunção com júpiter.
- com saturno também.
- isso é bom?
- eu não sei.
deve ser.
- é sim.
bom encontrar você.
- também acho.
(silêncio)"

caio fernando abreu.

12.6.09

estado agudo de felicidade.


"então, que seja doce.
repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. tudo é tão vago como se fosse nada. que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. que sejam doce os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone. que seja doce o seu cheiro. que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. que sejam doce suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. que seja doce a ausência do meu medo. que seja doce o seu abraço. que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. que seja doce. que sejamos doce."

caio fernando abreu.



-
e uma capacidade de desarmar com um sorriso.
ela estava recheada de flores.
é que no fundo, existem coisas que são só dela.



*feliz dia dos pés com pés.

11.6.09

onde habitam os anjos.



"agora faça um ar de... de absoluta pureza... olhe por cima de todo mundo, para bem longe. você foi tocada por forças mágicas enquanto dormia".

caio fernando abreu.


-
devolveu em tons de azul, todo o vermelho que havia recebido.
é que, tudo o que é suave. toca mais fundo.


"...é hora de fazer tudo o que sempre quis.
e é maravilhoso ver que tudo que sempre quis
é simples, belo, acessível, fácil, do bem."

caio fernando abreu.

10.6.09

"para despertar o vivo de dentro."



"que essa felicidade nos deixe com o coração disparado, mãos úmidas, olhos brilhantes e aquela fome incapaz de engolir qualquer coisa. a não ser o belo, que é de ver, não de mastigar."

caio fernando abreu.






"talvez, sim, talvez eu fosse mulher, porque pensava no príncipe, a minha mão direita era a minha mão e a minha mão esquerda era a mão do príncipe, e a minha mão direita e a minha mão esquerda juntas eram as nossas mãos. apertava a mão do príncipe sem cavalo branco, sem castelo, sem espada, sem nada".

caio fernando abreu.



-
dentro dessa divisão. do que se pode controlar.
teve certeza.
aquilo que não podia explicar, era o que se chama de incontrolável.
gostava do que sentia. e o que tinha, nunca era demais.
como era feliz aquela rosa.

9.6.09

"confirmei, quase sorrindo também."


"para manter o eterno verão atrás da janela, eu cantaria até o amanhecer."

caio fernando abreu.





-
aquele tom grave, que só essa voz sabe ter.
balbuciou palavras macias. aveludadas.
"tem sido noites ruins, tenho sentido tanto a sua falta..."
o que a fazia se encher de graça.
apertou o play, e deixou repetir. mais uma vez.
é que, naquele momento, tinha virado a trilha.
fechou os olhos. sorriu. seu sorriso preferido.
entrelaçou. chegaram.

*escutando loucamente

8.6.09

mais um aconchego,



-
"what's a day, when the years are on their way?"

para aconchegar.


-
começou contando o segredo.
e ela envolveu, num abraço que não conseguia terminar.
transpassou aquilo tudo de mais puro. e desejou.
ele sabe. sabe que em seu olhar cabem todas aquelas palavras.
e é por isso. por isso que o abraço nunca tem fim.
do avesso é que se tem dentro. amém!

7.6.09

alguma coisa em.


-
e é assim, quando ela estreita os laços de uma palavra sensível.
agrega valor.
registra o momento, aqueles que merecem eternidade.
caminha entre categorias. e deixa rastros. listras. costura a estrela.
aqui, o instante é.

6.6.09

nascia um jardim nas minhas faces.


"nunca soube a cor exata de seus olhos. quando os via muito de perto, minha única preocupação era observar o movimento dos pontinhos dourados no fundo das pupilas."

caio fernando abreu.


-
desfilava sua alegria, em tons de magenta.
pintava o set.
feito criança esperando o grande evento.

5.6.09

um mundo inteiro feliz.


- você é tão bonita. suave, delicada. a mulher mais feminina que eu conheço.





-
daqui, de onde o vento sopra em lá.
mando um beijo, em sol. pra esquentar...

4.6.09

porque é daí que nascem as canções.


"mas ela não fala. apenas olha. as pupilas cheias de pequenos pontos dourados. pontos de fogo, de ouro, de luz."

caio fernando abreu.


-
aqui, onde o vento sopra em lá.
é ai que gosta de encaixar seus semi-tons.
diz que tem cheiros bem específicos.
assim, uma infinidade de sentidos. dos mais variados.
confessou até que era o que movia. e que as curvas são excitantes.
fez questão de abrir bem os olhos, amendoados.
e teve certeza, era ali que queria morar.
estabeleceu, pois. pequenas imoralidades. em seus sorrisos largos.

3.6.09

as coisas são sempre meio mágicas.


"sem gritaria, ficamos olhando a nuvem-anjo. ninguém mais olhava para ela embora, apesar de discreta, fosse um escândalo."

caio fernando abreu.




-
acordou caminhando sobre nuvens. leve.
com as pálpebras pesadas. mas um pesado tão bom, menino.
é porque ela pensa no que é.

2.6.09

e, um sorriso que derretia satélites.


-
ficava na ponta dos pés.
feito criança esperando doce.
e se lambuzava.

1.6.09

atropelando.


-
guardou cada um em uma bolha. e deixou vazia.
transbordava.
essa coisa de espaço de respiro é fundamental.
o objetivo? talvez a resposta.
o caminho? o que tem mais coração.
um tanto sem nexo. um tanto difuso. um tanto paradoxo. um tanto paradigma.
a anatomia enlouqueceu. e virou tudo coração.
no agora, cabe. no entre, cabe.
sopra, feito brisa. aquece, feito sol. inspira, feito lua. guia, feito estrela.
essas transparências coloridas. bastante antagônicas.
feito coisa feita.

31.5.09

turbilhão.


"como a vida é tecelã imprevisível."

caio fernando abreu.





-
mexe. remexe. sobe. desce.
de ponta cabeça.
do lado. de dentro. de fora.
tonta, deixa.

30.5.09

come in,


-
ela tá batendo. e eu, tenho que deixar entrar.

28.5.09

sobre como funciona:


"tudo vai, tudo volta, eternamente gira a roda do ser. tudo morre, tudo refloresce,
eternamente transcorre o ano do ser. tudo se desfaz, tudo é refeito, eternamente constrói-se a mesma casa do ser. tudo se separa, tudo volta a se encontrar, eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser.
em cada instante começa o ser, em torno de todo o "aqui"
rola a bola "acolá ".
o meio está em toda parte.
curvo é o caminho da eternidade."

nietzsche - assim falava zarastrusta.

-
e o que não falta é mundo pra girar. e, em volta de todos os umbigos.
feito roda-gigante.

27.5.09

das vontades realizadas.


-
foi do jeito que havia planejado. que queria.
teve os sonhos que desejava.
recheados de rendas, cheiros e intimidades.
- fica fácil sonhar quando é real. é como se fosse a continuação da realidade. a vontade de permanecer sentindo...
ela se doava, enquanto era reafirmada. desejada.
e também tinha sonhos. todas as noites.

25.5.09

além do que se vê.


-
uns olhos negros. bem desenhados.
com um contorno rico em detalhes.
- é por isso. por isso que sempre se renova.
ela corava. dando ao conjunto ainda mais beleza.
- quando fecho os olhos, vejo seus olhos negros. contornados de lápis. e, tenho sonhos...
no fundo, tudo isso porque seus olhos são janelas da alma.
despediu-se contando que hoje era dia de sonhar.